Os parlamentares que integram a ainda bancada do PDT na Assembleia Legislativa cearense tiveram um fim de semestre nada agradável. A votação do manifesto encampado pelo presidente da Alece, Romeu Aldigueri, e pelo deputado Salmito Filho, ambos do PSB, em defesa da soberania brasileira e contra o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou os atuais pedetistas sem discurso e com a permanente necessidade de se explicar sobre o voto contrário ao requerimento, na sessão de quinta-feira (10).
Brava gente…
Em um dos momentos mais emblemáticos da sessão, quando do encaminhamento de manifestação do atual vice-líder do PDT, Lucinildo Frota, coube a Romeu Aldigueri saudá-lo, de forma pausada, nestes termos: “Com a palavra, o deputado Lucinildo Frota, do PDT de Brizola e Darcy Ribeiro.” O constrangimento de Frota diante da citação dos trabalhistas históricos foi visível. Além de Frota, todos os demais deputados pedetistas votaram contra o requerimento: Antônio Henrique, Cláudio Pinho e Queiroz Filho.
União, mas nem tanto
Romeu Aldigueri ainda conseguiu outro feito. A votação do requerimento expôs divisão entre a oposição, notadamente entre a bancada do União Brasil. Os deputados Heitor Férrer e Felipe Mota votaram a favor da iniciativa, enquanto Sargento Reginauro foi o único correligionário do Capitão Wagner a votar com a oposição.
Efeito Trump
No balanço total, a discussão sobre o manifesto encampado por Aldigueri e Salmito eclipsou os temas com os quais a oposição pretendia tocar o terror na véspera do recesso parlamentar. O que obriga os aliados de Capitão Wagner, Roberto Cláudio e André Fernandes a ficar na torcida para que Trump não venha a anunciar outras medidas referentes às relações comerciais de Estados Unidos e Brasil em agosto, quando da retomada das atividades parlamentares.
A Justiça entra no processo eleitoral
A canetada do ministro do STF, Gilmar Mendes, que atingiu quatro pré-candidatos ao Senado Federal, ganhou relevância pela abrangência política e pela pauta: emendas parlamentares, que significam dinheiro na veia da política eleitoral. Na nova comunicação, onde prevalece a força da internet, todos os deputados, a preço de hoje, estão condenados. Novos fatos podem esclarecer e pôr um corretivo, e as candidaturas avançarem. Não se pode negar que os movimentos do ministro Gilmar Mendes, com suas decisões que beneficiam pré-candidaturas que estão fora das operações policiais — como a de Chiquinho Feitosa, do deputado pastor Alcides Fernandes, de Cid Gomes, de Chagas Vieira — abrem portas para novos nomes, como Domingos Filho, Luiz Gastão, Jade Romero e Izolda Cela. Alguns leitores que têm interesses políticos consideram os textos do blog e da coluna favoráveis ao bloco governista, o que é natural, apesar de não ser verdadeiro. Escrevo aqui diariamente que foi um erro a antecipação da pré-campanha cearense, por criar um ambiente de destruição da política. Destruíram histórias de vida pública. O resultado está estampado no noticiário de todos os formatos de mídia.
Deputado Carmelo Neto não pode tirar licença
Os reveses dentro do PL estão desestimulando o jovem deputado Carmelo Neto, que preside a sigla no Ceará e vai perder o cargo no próximo mês. Os vereadores travaram também a discussão sobre Carmelo assumir o partido em Fortaleza. Carmelo pediu licença do mandato na Alece e recebeu um “não”. A licença só poderá acontecer a partir de agosto. Seu suplente é Davi Pró-Armas.
Evandro deu autonomia e vai cobrar resultado
Iluminação, capinação, tapar buracos serão as prioridades dos secretários das regionais de Fortaleza. O prefeito quer respostas rápidas no atendimento à população. Os 12 secretários executivos das regionais terão completa autonomia para ordenar e bancar as despesas. Os vereadores aplaudiram a decisão do prefeito.
Felipe Mota: “Medida infeliz, sou agro e contra Lula e Bolsonaro”
O deputado Felipe Mota (UB) votou a favor do manifesto a favor do Brasil, de autoria do presidente da Alece, Romeu Aldigueri, e considerou a taxação aos produtos brasileiros ridícula. “Sou de direita, sou contra o Lula e o Bolsonaro. Isso é absurdo”, desabafou.
Aldigueri jogou para a oposição o desgaste
Foi um ato de inteligência política do presidente da Alece lançar o “Manifesto a favor do Brasil”. A oposição foi levada às cordas e silenciou. Os que votaram contra diziam ser contrários às medidas, mas votavam só por ser contra. “Sou contra as medidas, mas voto contra”, disse o deputado Queiroz Filho, parlamentar preparado.
