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Esporte e poder

Foram os imigrantes e filhos de brasileiros estudando no exterior que trouxeram as regras, os regulamentos e os implementos. Futebol, boxe, remo, basquete, atletismo e outros esportes. Havia liberdade de funcionamento e a normatização era por conta das entidades privadas.

O esporte era da sociedade e não havia interferência de governos. Essa liberdade caracterizada pela livre organização gerava controvérsias. O futebol possuía duas ligas de direção nacional. Uma em São Paulo (LFESP) e a outra no Rio de Janeiro (LFRJ). A Fifa só reconhecia uma.

Percebendo no esporte um instrumento de projeção e visando adequá-lo às exigências internacionais, Getúlio Vargas, na época presidente do Brasil, criou, através do decreto 3199/41, o Conselho Nacional de Desporto (CND). A função era de controlar e tutelar a prática esportiva.

O CND era o braço forte do Governo Federal. Os CRDS – Conselhos Regionais do Desporto – controlavam as federações nos estados e as ligas nos municípios. O Estado Novo ganhava um mecanismo importante capaz de manipular as massas e mexer com o orgulho do cidadão comum.

Foi nessa esfera autoritária e centralizadora que o esporte se organizou. A CBD – Confederação Brasileira de Desporto – englobava diversas modalidades desportivas. Um decreto da Fifa obrigou a criação de uma entidade que cuidasse só do futebol e, em 1979, nascia a CBF – Confederação Brasileira de Futebol.

A exceção de duas Copas do Mundo, conquistadas em 1994 e em 2002, a herança deixada pelos seus dirigentes é um péssimo exemplo. Seus presidentes Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo e Ednaldo Rodrigues foram banidos do esporte, presos ou afastados.

Ontem (25), foram realizadas eleições para presidente da CBF. Um único candidato. Samir Xaud foi eleito. Com o afastamento de Ednaldo Rodrigues, que havia sido eleito há menos de um mês, clubes e federações se rearranjaram e escolheram um novo presidente.

Recente decisão aprovada em assembleia da CBF passou o salário de presidente de Federação Estadual para R$ 215 mil. O futebol, nos dias de hoje virou tarefa para uma elite e a CBF aprova essa divisão social. E pensar que toda a reforma deve emergir da base e não do vértice, como tem sido frequente na sociedade brasileira.