Existe algo que me move profundamente: encontrar pessoas.
Ao longo destas últimas semanas, percebi que tudo o que venho escrevendo e vivendo orbita o mesmo lugar — a mesa, os afetos, as conexões que se fortalecem quando alguém chega e a gente abre espaço dentro de casa… e do coração.
Eu sempre gostei de receber. Seja na minha casa ou na Casa Nupê — que já é uma extensão natural do meu lar — encontro ali um tipo de alegria que só existe quando a casa se enche de vozes, quando os copos começam a tilintar e quando a cozinha vira palco.
Receber, para mim, não é sobre formalidade. É sobre intenção.
É escolher a música certa, pensar numa bebida que combine com a pessoa que está chegando, preparar uma receita que fale um pouco de mim — às vezes testando algo novo, às vezes repetindo aquilo que já carrega história. É sobre organizar esses detalhes não por obrigação, mas porque gosto de ver o brilho no olho de quem entra.
E agora, chegando o final de ano, tudo ganha uma pressa bonita. A gente vive um relógio ao contrário: tentando marcar aquele café que foi ficando para depois, procurar um espaço na agenda para ver quem a gente não viu durante o ano, encaixar encontros que prometemos repetidas vezes… e não aconteceram.
Eu, inclusive, estou vivendo isso. Tentando recuperar abraços, conversas, promessas de encontros que ficaram suspensas. E, no meio dessa correria, percebo que o mais valioso não é a ceia perfeita, nem o presente certo, nem o look escolhido… é a presença.
Receber — e ser recebida — é uma das formas mais bonitas de amar. E talvez por isso seja tão forte em mim. Porque é à mesa que a vida acontece.
É nas conversas tortas, nas risadas longas, nos pratos que dão certo (e nos que nem tanto), que a gente entende que o encontro é o que sustenta tudo.
Neste final de ano, eu só desejo isso: que a gente viva mais encontros. Que a gente se permita chegar e permitir que cheguem. Que a gente se reúna mais, coma junto, celebre junto.
Porque o tempo passa, mas o que fica — sempre — são as pessoas.
