Copa do Mundo em tempo de guerra, como era de se esperar tudo acontece, inclusive a suspensão dos efeitos de punição de um cartão vermelho. Assim como todos os esportes, o futebol tem regras claras e definidas que realmente podem ser modificadas ao longo do tempo. Mas mudar a regra na hora do jogo, a partir da intervenção de um presidente de um país-sede do evento, leia-se: Donald Trump, ninguém esperava. Segundo a mídia, Trump teria pedido diretamente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino a revisão da expulsão do atacante do seu time, Folarin Balogun. A FIFA se submeteu e cedeu, o que levou a França a questionar também a revisão de um cartão vermelho que, no entanto, a FIFA negou. Mas, a regra é clara. “Isso pode, Arnaldo?”. Além da história do cartão vermelho, Trump e seu governo não permitiram a seleção do Irã, dita inimiga que ficasse hospedada em território estadunidense. Os atletas e a delegação iraniana ficaram hospedados em Tijuana, no México, e a FIFA mais uma vez conivente. E, por falar em jogos e guerra, a história nos ensina que isso é possível, mas bem diferente do que está acontecendo agora. No século VIII a.C, a Trégua Olímpica foi instituída. As cidades-estados gregas firmavam com outros povos tréguas temporárias para garantir a realização dos Jogos Olímpicos. Com a Trégua Olímpica, os atletas, treinadores, artistas e espectadores podiam viajar em segurança. Inspirada nessa tradição secular, como símbolo de paz entre as nações, em 1993, a ONU incentiva os países a respeitarem esse período de paz nos jogos. No entanto, em 2026, em pleno jogos da Copa, os “russos” sem seguirem a ética da guerra e dos jogos dos antigos, realizaram, no início de julho, o maior ataque contra a Ucrânia. Os Estados Unidos, por sua vez, também ainda no início do torneio, realizaram ataques aéreos contra alvos militares iranianos, alegando responder a ações iranianas contra forças e interesses norte-americanos na região do Golfo. Evidente que na guerra o Irã tem desvantagem, mas no futebol, a seleção iraniana deu um show, e ninguém tem dúvida. Aliás, diferentemente da seleção Canarinho; as seleções africanas do Egito, Marrocos, Senegal e da pequena ilha de Cabo Verde, deram um show de habilidade e qualidade técnica coletiva e individual, garra, determinação, e como se dizia outrora: jogaram com amor à camisa. Os capitães das seleções: Harry Kane, Inglaterra; Lionel Messi, Argentina e Kylian Mbappé, França, só para citar alguns, são os primeiros a saírem com suas equipes dos vestiários no túnel de acesso ao gramado para o início das partidas, inclusive, em caso de pênalti, também são os primeiros a assumir a responsabilidade, – se antecipam pegam a bola e batem, tendo sucesso ou não, assumem, inclusive Braut Haaland da Noruega que não era o capitão. Estranho que na Canarinho, o tal de Neymar, era o último a entrar no gramado, como se estivesse se esquivando da responsabilidade. No caso do jogo contra a Noruega, ao bater o pênalti, parecia mais preocupado em se autoafirmar e menosprezar o goleiro adversário do que com a equipe e o tempo de jogo. Por falar em capitão e liderança, alguém lembra quem era o nosso capitão? “Necas de pitibiriba” de Trégua Olímpica na Copa de 2026. No dia 8 de julho, na Cúpula da Otan, Mark Rutte, o Secretário-Geral da instituição, defendeu em alto e bom som os ataques dos Estados Unidos ao Irã para que os navios possam ter passagem livre no Estreito de Ormuz. Esquisito, não ouvi nenhuma crítica de um jogador a tudo isso. Que Copa é essa, Arnaldo?
Em tempo de guerra: Que Copa é essa, Arnaldo?
Copa do Mundo em tempo de guerra, como era de se esperar tudo acontece, inclusive a suspensão dos...
