Menu

Em pele de cordeiro

O deputado Luiz Henrique, pastor evangélico que conseguiu se eleger parlamentar no Ceará, tem reclamado do bullying nas escolas e do cyberbullying. Essa última é uma modalidade de assédio moral cometida nas redes sociais da Internet. Diz até pretender que o Estado faça campanha contra essas aberrações que, em geral, têm jovens como vítimas. Alguém precisa avisar a ele que essas práticas não são condenadas nos templos, sendo, em geral, tratadas como brincadeiras ou liberdade de opinião – o que não são; na verdade, trata-se de violências historicamente aceitas pela sociedade e nunca convenientemente combatidas. Mas os evangélicos não se incomodam com isso. Incomodam-se mesmo é com o que nem existe, uma certa “ideologia de gênero”, a qual nunca se viu nem se sabe para que serve.

O próprio Luiz Henrique já andou falando mal dessa ficção, espécie de “loura do banheiro” e de “véio do saco” inventada para criar terror em ingênuos. Na mesma levada, seria interessante que alguém dissesse ao deputado que homofobia é crime. E que nem ele, nem parlamentar nenhum, por mais fé cristã que diga ter, possui o direito de passar por cima da lei para atacar orientações sexuais. “Imundície” foi a palavra que usou em 2019 para xingar a Parada pela Diversidade Sexual, mostrando, sem pudor nenhum, como se refere a pessoas distintas dele. Luiz Henrique foi prontamente repudiado pelo autor da proposta que inclui a Parada no calendário oficial de eventos do Estado. “Imundície é o que o senhor defende, é o preconceito contra gay. Respeite a população LGBT. O Deus é seu, mas é meu também. E de um milhão de pessoas andando na Beira-Mar”, disse o então deputado Elmano de Freitas. A continuar dizendo uma coisa e fazendo outra, políticos-religiosos arriscarão serem vistos apenas como lobos em pele de cordeiro.

“FUI DESISTIDO”

O ex-deputado, ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes arranjou mais uma atividade para ser ex: candidato a presidente da República. Após ser quatro vezes postulante ao Palácio do Planalto, sempre rejeitado pelos eleitores, Ciro anunciou em entrevista à TV CNN Brasil que não será mais candidato a nada. “O que aconteceu em 2022 matou um pouco a minha paixão. Não digo pelo povo, mas pela política como linguagem. Eu não desisti, eu fui desistido”, disse.

ÂNGULO

Ciro enxerga as coisas por um ângulo muito peculiar. É aquele no qual sempre se faz de vítima. Ciro Gomes, assim como Padre Kelmon e outros, não conseguiu os votos necessários para se eleger presidente. Foi isso o que ocorreu. Tentou em 1998, 2002, 2018 e 2022 e não deu. “Foi desistido pelo eleitor”, para usar aqui o neologismo que inventou para substituir o verbo perder.

NÃO ESTAVA MONTADA

Houve quem desse pela falta do “filho 04” – Jair Renan – no trio elétrico que Silas Malafaia pagou para Jair Bolsonaro fazer pressão contra as instituições democráticas, tentando se defender e implorando anistia para outros criminosos do 8 de Janeiro. Mas tudo se explica: a parada na Paulista era outra.

LUGAR DA MULHER ONDE O JAZIEL QUER?

Voz frequente contra a feminismo e o protagonismo das mulheres em diferentes campos, inclusive o da política, a deputada estadual-pastora Silvana Oliveira (PL) vem apoiando propostas em sentido inverso. Isso é estranho – logo ela, que diz que quem manda no mandato que exerce é o maridão, o deputado federal-pastor Jaziel Pereira (PL).

HOMENS AO MAR

O ex-chefe de Jornalismo da TV Verdes Mares, Marcos Gomide, reapareceu na telinha. Nesta segunda-feira (4), noticiosos da Rede Globo veicularam matéria feita a partir de imagens feitas por ele, que ainda deu depoimento. Em cruzeiro no Caribe, Gomide flagrou o resgate de um barco com emigrantes cubanos que estava à deriva no mar. Marcos Gomide, que estabeleceu linha de qualidade na empresa, não atua mais na Imprensa do Ceará.

JÁ PERTINHO

A Prefeitura de Natal–RN, que já registrou 655 casos de dengue desde o início do ano, além de ocorrências de chikungunya e zyka, decretou emergência na saúde. O avanço do mosquito Aedes aegypti assim determinou. Natal é a capital nordestina mais próxima de Fortaleza – fica a pouco mais de 500 km de distância.

VAI LÁ E PERGUNTA!

A situação da capital potiguar tem feito tremerem nas bases os estrategistas da Prefeitura de Fortaleza. O grupo do prefeito José Sarto (PDT) sabe do impacto que índices negativos na saúde causam em ambições eleitorais. Se não sabe, precisa saber: basta perguntar aos amigos bolsonaristas.

QUEM SABE, SABE

Palavras da ministra da Saúde, Nízia Trindade: “Não podemos aceitar nenhuma morte por dengue, porque é morte que se pode evitar com hidratação adequada, sem que a população tome medicamento por sua conta. Isso é muito importante. E (com) aqueles sinais que temos dito, como dor de cabeça, dor forte atrás dos olhos, manchas no corpo, procurem o sistema de saúde”.