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Em busca de espaço

O Nordeste e o Norte do Brasil atravessam momentos difíceis por conta das chuvas rigorosas que enchem rios,...

O Nordeste e o Norte do Brasil atravessam momentos difíceis por conta das chuvas rigorosas que enchem rios, riachos, provocam deslizamentos de terra e castigam a população, principalmente os mais pobres.

Meteorologistas não têm dúvidas sobre as enxurradas descontroladas que estão provocando mortes no Recife, uma cidade cercada por morros e cortada por rios. O solo encharcado após grandes precipitações não conseguiu absorver o volume e a água foi buscar seu lugar nos leitos dos rios, que por sua vez foram assoreados para abrir espaço para as moradias que não deveriam estar ali.

É bom avaliar nessas horas os erros do poder público ao não perceber as consequências danosas pela falta de firmeza em impedir construções em áreas de risco. Talvez a politicagem tenha contribuído para o olhar desprovido de clareza. Também nos remete de imediato o pensamento para a corrupção que envolve interesses público e privado quando o negócio é o uso e ocupação de solo.

No sertão, de onde parte a força da água quando chove nas cabeceiras dos rios que deságuam no mar, é preciso fazer melhor monitoramento. O caso do Recife é claro. As autoridades foram informadas do grande volume de água nos leitos dos rios e não levaram a sério informações importantes da meteorologia e das entidades que monitoram rios e açudes.

A revolta climática é resultado da ação do homem, que fez do solo fonte de fortuna sem observar e sem se preocupar com o destino da água desviada para abrir espaço para o agronegócio e para a especulação imobiliária.

Toda essa situação surpreende por estarmos no Nordeste, região semiárida, com chuvas irregulares e histórico de seca, onde água falta mais do que sobra. Mas ela existe. No interior do país, no sertão, nas nascentes dos rios, encontramos gigantes berçários de água que deixam de ser fontes de vida para se tornarem ameaça.

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