Semana passada, foi tempo investido ao acaso em uma nesga de deboche, de gozação, para passar ao largo dos perigos das areias movediças dos radicalismos. Definitivamente, somos um país dividido. Duas torcidas mal humoradas que hoje se digladiam dentro de uma arena aparentemente calma, como aquela do olho de um furacão.
Na realidade, gozação é o que fazem os pelotões sem comando sério do soldado de chumbo que só pôde tomar posse na sua vitória frustrada, na posse do amigo maluco desgrenhado da Corrientes, 348, leia-se Gardel. Gozação, mesmo, é o que fazem os que só ganharam, mas não estão levando todas aquelas vantagens alardeadas em velhas promessas.
Gozação é o que faz uma ministra de estado, especialmente antipática, cobrando de um inquisidor que se contenha e não chame de “caixa preta” – a exemplo daquela de um avião, que se busca para averiguar as causas de um desastre. Gozação é o que fez a sua colega, na mesma linha de idiotice continuada, reclamando da utilização do termo científico “black hole” – buraco negro, alegando que é ofensivo e preconceituoso.
Ora, com milhões de demônios! Um buraco negro é uma espécie de abismo cósmico que suga para si tudo o que se aproxima a uma determinada distância. Nem mesmo a luz escapa de ser atraída por esses objetos. Por isso, os buracos negros são, de fato, negros. E isso acontece porque a atração gravitacional desses corpos é extremamente forte. Ainda hoje, essa ministra desconhece os limites das raias do ridículo apadrinhado e faz coro com a sua colega e golfa tamanho diatribe sem cerimônia.
De toda a gozação a que me permiti, com a pressuposição de avocar alguma liberdade de expressão com a cumplicidade da Inteligência Artificial, ainda assim, fui agraciado com a sutileza de uma crítica discreta: “a picanha prometida não chegou, mas ficou barata”.
Enfim, de uma coisa podemos ter certeza: as dúvidas existem às escâncaras, mas as cortinas pesadas que se impõem na proteção da performance duvidosa dos atores de plantão do atual espetáculo bufo permitem a continuidade da pirotecnia momentânea. As dúvidas, ao contrário, são as melhores certezas para o apaziguamento dos que perderam e se contentam com vídeos sugerindo suspeição/culpa nas tintas do levante que foi abortado. Que entrem as carpideiras! Que elas chorem pelos que perderam e não aceitam e pelos que ganharam e não estão vendo muita vantagem…
