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Dinheiro no pasto: quando até os mais instruídos caem nas armadilhas

Bois, avestruzes, tigres… Não, não estamos falando daquele jogo bem popular, mas também não legalizado.  Hoje a coluna vai falar sobre ganância. Sabe aquele ditado antigo que diz “quando a esmola é demais, o santo desconfia”? Pois é. No mundo das finanças, a lógica deveria ser a mesma — mas, na prática, muita gente boa esquece a prudência na primeira promessa de lucro fácil. E não estou falando de gente desinformada ou ingênua, não. Estou falando de advogados, médicos, engenheiros, empresários — gente com diploma, currículo de respeito e até um pezinho no mercado financeiro. Mesmo assim, basta aparecer aquela proposta de investimento que promete ganhos muito acima da média, com risco “zero”, que o senso crítico vai para o espaço e a ganância assume o volante. Quer exemplos? Vamos dar uma voltinha pelo passado. Lembra do Boi Gordo? Nos anos 90, parecia a oportunidade de ouro: você investia num “consórcio de bois”, a promessa era simples — engorda o boi, vende o boi, lucra mais que a poupança e ainda ajuda o agronegócio a crescer. Só esqueceram de avisar que os bois mágicos multiplicadores de dinheiro existiam mais no papel do que no pasto. Quando o esquema começou a ruir, ficou claro: era uma pirâmide financeira, onde o dinheiro dos novos investidores pagava os ganhos dos antigos — até, claro, a pirâmide desabar. E se você acha que as pessoas aprenderam, um investimento fantástico em Avestruz, poucos anos depois, provou o contrário. Dessa vez, a galinha dos ovos de ouro virou um avestruz. Literalmente. Prometiam retornos surreais para quem investisse na criação dessas aves exóticas — que, segundo diziam, iam dominar o mercado de carnes e plumas mundo afora. O final? Milhares de investidores lesados, muitos sonhos destruídos e uma lição amarga: quando o lucro é rápido demais para ser verdade… é porque não é verdade. O ponto é: a ganância não respeita currículo, nem experiência. Quando se trata de dinheiro, até gente vivida pode se encantar com a ilusão de um atalho financeiro. Afinal, quem nunca sonhou em ver o saldo bancário explodir sem precisar esperar anos? Por isso, fica o recado: desconfie de tudo que promete retorno garantido e muito acima do mercado. No mundo real, investimento seguro e lucrativo é coisa de paciência, estudo e, acima de tudo, realismo. Da próxima vez que alguém lhe oferecer bois milagrosos ou avestruzes de ouro, ou até filhotes de tigres, lembre-se: às vezes, a melhor escolha é seguir o bom e velho caminho dos investimentos chatos — mas honestos. Boa semana, bons investimentos e cuide bem das suas finanças.