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De Armas e Livros

Bolsonaro abriu dois mil clubes de tiro. Lula disponibilizou meio milhão de livros na palma de sua mão

Dia 04 de outubro, findado o primeiro turno de nossas eleições, cidadãos em seu pleno direito foram às ruas celebrar a diferença de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula — a mais irrisória diferença de votos em um primeiro turno presidencial na história do Brasil.

Na região metropolitana de Natal (RN), um pai teve a ideia reluzente de comemorar entregando na mão de seu filho uma arma — ainda não sabemos se verdadeira ou de brinquedo — e o colocar em cima de um carro, dançando.

A imagem que circulou o país e a imprensa internacional retrata o futuro pelo qual luta parte de nossa população, e o espetáculo grotesco me faz recordar o poema de Castro Alves: “É loucura ou é verdade, tanto horror perante os céus?”

Eu que escrevo, e você que lê, nós valorizamos os livros. Sonhamos com um Brasil em que todas as crianças tenham um livro na mão, leiam-no e o compreendam.

Mas a troca dos livros pelas armas faz parte de nossa história recente:

A partir do golpe político-jurídico que tirou Dilma Rousseff do poder, em 2015, até 2020, mais de 700 bibliotecas públicas foram fechadas no Brasil. Não estamos falando de setecentos livros, mas de setecentas bibliotecas inteiras, com suas atividades culturais, seus espaços de estudo, tudo.

Durante os quatro anos de governo de Jair Bolsonaro, um clube de tiro foi aberto a cada dia, totalizando mais de dois mil clubes de tiro em funcionamento no Brasil em junho de 2022.

Nós trocamos cada biblioteca por um clube de tiro e meio, numa conta aritmética bem simples.

Não sei você. Mas não é este o Brasil que eu ajudo a construir.

Às vésperas de nosso primeiro turno, já evidente a vantagem dos partidos de direita, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, do União Brasil, determinou o fechamento de todas as bibliotecas de escolas de educação infantil na cidade, “privando crianças de 0 a 5 anos do acesso qualificado ao livro, à leitura e à mediação cultural”, diz o Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª Região (CRB-6).

Imensa pressão popular fez com que a decisão retrógrada e obtusa fosse provisoriamente revogada.

Em contraposição a isso, temos duas notícias que deveriam nos despertar imensa esperança, se as anteriores despertam nosso desespero.

A partir de 2025, começamos a inaugurar 1.500 novas bibliotecas nos empreendimentos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida. A previsão é a conclusão dessa empreitada até o final de 2026, com a disponibilização total de mais de setecentos mil livros.

Lula, assim, coloca nas mãos da população mais pobre um total de mil livros para cada biblioteca que Jair Bolsonaro fechou.

Além disso, em 23 de abril deste ano, o Governo Federal aprovou o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que prevê o aumento das bibliotecas públicas e comunitárias em 50% nos próximos dez anos, passando de 4.691 para mais de 7.000 bibliotecas públicas em território brasileiro.

Para terminar este texto com uma sugestão, você pode visitar agora mesmo uma biblioteca ao alcance de sua mão. A partir de 05 de abril de 2026, o Governo Federal disponibilizou quase meio milhão de obras gratuitamente pelo aplicativo e site MEC Livros, que você acessa em: https://meclivros.mec.gov.br/ 

No domingo, dia 25 de outubro, você e eu teremos uma escolha. Nós podemos escolher um país com mais livros do que armas.