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Contabilidade Mental: a “planilha” que vive dentro da nossa cabeça

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Sabe quando você ganha um dinheirinho extra — tipo aquele PIX inesperado do aniversário ou o reembolso da empresa — e já pensa: “Ah, esse é pra me dar um mimo”? Pois é, bem-vindo ao mundo da contabilidade mental, o jeitinho nada racional (mas totalmente humano) com que a gente organiza o dinheiro na cabeça.

O termo foi criado por Richard Thaler, um dos papas da economia comportamental, e parte de uma ideia simples: nós não tratamos todo o dinheiro da mesma forma. Mesmo que, no papel, todo real valha exatamente o mesmo, na nossa mente ele ganha etiquetas diferentes — “dinheiro do salário”, “dinheiro do presente”, “dinheiro do bar”, “dinheiro do cartão”… e por aí vai.

O problema é que, quando fazemos isso, as decisões financeiras ficam bem mais emocionais que lógicas. Por exemplo, a pessoa economiza horrores no mercado comprando tudo em promoção, mas torra o dobro em delivery no fim de semana “porque merece”. Ou então: fica brava com o aumento de R$ 0,50 na gasolina, mas paga R$ 15 por uma água no show sem nem piscar.

Essa bagunça mental cria ilusões perigosas. A gente acha que está “controlando o dinheiro”, quando na verdade só está disfarçando o gasto com categorias que aliviam a culpa. A grana vai embora devagarinho — como quem “só pediu uma entradinha” e, quando vê, pagou o jantar inteiro.

Mas calma, dá pra virar esse jogo. O truque é trazer essa contabilidade da cabeça para o papel (ou para o app). Quando você coloca tudo junto, percebe que o dinheiro do “lazer” e o da “poupança” vêm do mesmo lugar: o seu bolso. E que o “dinheiro fácil” também dói quando acaba.

No fim das contas, a contabilidade mental não é vilã — ela mostra que somos humanos, cheios de atalhos emocionais. O segredo está em usar essa tendência a seu favor: defina metas, crie categorias com propósito (como “investimentos do futuro eu”) e mantenha o foco.

Porque, no fundo, o cérebro até tenta fazer uma planilha financeira… só que ele prefere o Excel do coração. Boa semana, bons investimentos e cuide bem das suas finanças.