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Como lidar com as emoções das crianças

Crianças têm sentimentos exatamente como os adultos. Pense na seguinte situação: Você está ocupado com uma tarefa importante. Outra pessoa chega e diz: “Vamos, vamos, estamos atrasados, já era para ter saído!” – Como você se sente?

Isso ocorre com crianças. Elas podem estar brincando, mas a brincadeira quase sempre é um afazer importante para elas. Nós aparecemos sem aviso, interrompemos e apressamos. Aí, as crianças choram e nós nos incomodamos.

Às vezes as coisas são mais sutis. Pode ser que um amigo tenha mudado de escola. Para a criança, é uma grande surpresa. De repente, aquela pessoa que se via todos os dias sumiu. Ela pode ficar muito chateada e nem saber explicar porquê.

Pode ser mais sutil ainda. As crianças têm noites de sono ruim, como nós. Depois, ficam mal-humoradas como nós. Mas nós já
desenvolvemos nossos cérebros, e sabemos nos controlar (quase sempre). A criança não sabe, então o mal estar dela transborda.

Sentimentos agradáveis também existem, e nós podemos reconhecer a alegria, o orgulho e o maravilhamento em nossas crianças. Podemos dar tempo para que elas sintam o que estão sentindo, podemos compartilhar dos sentimentos positivos, e comemorar ou usufruir com elas, quando for o caso.

Além de perceber os sentimentos das crianças e respeitá-los, nós temos uma responsabilidade difícil de cumprir: Podemos nomear os sentimentos com elas. Brené Brown, autora do livro A Coragem de Ser Imperfeito, ensina que a maior parte dos adultos conhece
apenas três sentimentos: Alegria, Tristeza e Raiva.

Se nós soubermos nomear mais sentimentos, vamos nos expressar melhor, e os outros nos entendem melhor também. Nomear
sentimentos é uma forma de autoconhecimento e autocuidado.

Para ajudar crianças com isso, precisamos escutar bastante e entender o que estão sentindo. Se um colega dela disse algo agressivo, ela está magoada, não triste. Se conseguiu subir em uma árvore depois de muito esforço e diz: “Eu sou forte!”, está sentindo orgulho, mais
que alegria. Podemos dizer essas palavras, elas aprendem.

Alguns sentimentos podem levar a ações agressivas. Então, precisamos colocar limites com gentileza e firmeza. Mas os limites são para as ações, nunca para os sentimentos em si.

Todo sentimento é válido. Suas crianças podem sentir raiva, mágoa, frustração e saudades. Não precisamos distraí-las de sentimentos difíceis. Podemos criar espaço para receber o que a criança sente e lembrar que o foco é ajudá-la a processar, com cuidado, palavras amáveis e um pouco de silêncio.

UMA LISTA DE EMOÇÕES

As emoções abaixo estão presentes em uma tabela de Brené Brown, autora de Atlas of the Heart.

Quando a vida é boa: alegria, calma, contentamento, felicidade, gratidão, alívio.

Quando estamos machucados: angústia, desamparo, desespero, tristeza, luto.

Quando abrimos o coração: amor, confiança, autoconfiança, traição, ficar na defensiva, dor.

Quando nos comparamos: admiração, reverência, inveja, ciúmes, ressentimento.

Quando as coisas não saem como planejado: tédio, desapontamento, expectativa, arrependimento, resignação, frustração.

Quando as coisas são incertas ou excessivas: estresse, ficar sobrecarregado, ansiedade, evitação, medo, vulnerabilidade.

Quando as coisas são maiores do que nós: maravilhamento, admiração, surpresa, confusão, curiosidade, interesse.