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Como explicar as guerras para as crianças

Como podemos explicar que um general decida bombardear uma escola com cento e cinquenta crianças? Nenhum de nós...

Como podemos explicar que um general decida bombardear uma escola com cento e cinquenta crianças? Nenhum de nós gostaria de ter de pensar nessas coisas, e não gostamos muito de falar sobre elas. Especialmente, não desejamos ter de falar sobre isso com as crianças.

Como vamos dizer à criança, toda feita de inocência, que mais de cem iguais a ela foram mortas, e que não foi um acidente? Como podemos justificar as ações de um exército que promete comida às crianças e, quando elas chegam lá para pegar, morrem alvejadas?

Nosso desejo de não falar sobre isso não chega muito longe, porque elas escutam os vídeos, podcasts e jornais que assistimos, e ficam sabendo do que nós escondemos tanto pela escola quanto pelos colegas, além da mídia que elas mesmas talvez consumam em celulares e tablets.

O silêncio só é uma boa alternativa quando serve de descanso. Ele não é bom quando tenta esconder alguma coisa. Em qualquer idade, é impossível explicar a complexidade socioeconômica da guerra para uma criança, mas em diferentes fases da vida, existem explicações que podemos oferecer, não tanto para a criança entender a guerra, que é incompreensível, mas para que entenda melhor a si mesma e consiga viver com mais calma e esperança no mundo que temos.

Até os três ou quatro anos, não há nada de útil para dizer, e quase não há perguntas das crianças para responder. Neste começo de vida, o melhor que fazemos é oferecer a elas um ambiente de paz em casa e na escola. Também é nosso dever protegê-las das imagens terríveis que elas são incapazes de entender.

Perto dos seis anos, e mesmo depois, podemos começar a explicar, especialmente se as crianças perguntarem, e para explicar precisamos entender primeiro.

O ponto de partida de qualquer guerra é emocional, não é econômico, nem social. Quase nenhuma guerra é iniciada por quem tem menos, contra quem tem mais. O início das guerras é a vontade que algumas pessoas têm de ter muito. 

Podemos dizer isso às crianças: o mundo tem recursos suficientes para todas as pessoas terem casas, comida, saúde e educação. Mas existem pessoas no mundo que querem ter muito só para elas. Às vezes elas ficam querendo, mas não podem fazer nada sobre isso. Mas quando uma dessas pessoas, que quer demais, também é uma pessoa com muito poder, por exemplo, um presidente, aí ele pode mandar pessoas para a guerra para buscar mais do que ele quer.

Podemos continuar, com uma verdade difícil: As pessoas que querem muito para si mesmas não são más. Elas só têm muito medo de que se elas não tiverem muito, muito mesmo, vão ficar desprotegidas, e vão acabar sozinhas. Normalmente isso acontece quando essas pessoas não sabem sentir amor.

Precisamos oferecer também uma solução: Nós precisamos fazer de tudo para que as guerras não comecem. Seria perfeito ensinar essas pessoas a sentirem amor, e aí elas provavelmente parariam a guerra. Mas nem sempre isso é possível, então nós fazemos protestos, escrevemos cartas, e fazemos algumas escolhas para mostrar que nos importamos e que a guerra precisa parar.

Porém, mais importante que isso: Nós amamos muito as pessoas que estão perto de nós, e oferecemos amor para as nossas famílias e amigos. Assim essas pessoas vão se sentir em paz, não vão ter tanto medo, e no futuro teremos mais pessoas amorosas, e muito menos guerra.

Se esta explicação soou inocente para você, pergunte-se: Ela é inocente, ou só é difícil demais? Se ela for difícil demais porque você é adulto, lembre-se do que disse o autor de O Pequeno Príncipe: Quando as coisas são difíceis demais para os adultos, devemos dizê-las para as crianças.