Na madrugada de sexta, após o ataque militar dos Estados Unidos à soberania da Venezuela com a prisão de Nicolás Maduro, cada vez mais consolida-se a ideia de que a tal Guerra Fria, de fato, nunca terminou e que a soberania dos países era/são uma ilusão. As duas potências, EUA e a Rússia, ex-URSS nunca deixaram ou abandonaram o céu, solo e as riquezas produzidas no hemisfério ocidental e oriental, respectivamente, sob suas influências. No intervalo de uma palestra em uma cidade do interior na manhã de sábado, um professor-aluno mostrou-me a notícia: “Olha aí, professor! Os EUA atacaram a Venezuela e prenderam Maduro”. À tarde, de volta, fui à oficina. Enquanto o mecânico resolvia o problema, entrei em uma bodega próxima, pedi uma cerveja para ficar pensando melhor sobre a reconfiguração da tal da nova ordem mundial. No balcão, um sujeito já aparentemente tomado pelo álcool saiu com essa: “Os EUA não invadiram a Venezuela. Eles prenderam o Maduro. O Trump disse que não vai interferir na soberania e na eleição deles”. Acreditem, eu o reconheci, era um professor, então bati em retirada. Se um professor tem essa compreensão da realidade, imagina a multidão que vive feito gado no pasto. Mas, antes de chegar à oficina, recebi uma ligação de um matuto que, indignado, falou-me: “Ei, doutor, eu estive lendo aqui na internet sobre essa invasão. Diz aqui que isso não só é uma invasão, mas um desrespeito à soberania do país. Esse Trump é um safado!”. Para quem não sabe, a ONU, em sua Carta de fundação, no Artigo 2º, “reconhece o princípio que estabelece a igualdade soberana de todos os Estados-membros e a não aceitação de intervenção em assuntos internos de outras nações”. Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador brasileiro Sérgio Danese declarou: “a proibição do uso de força contra um território, contra qualquer estado. As normas que governam a coexistência não admitem exceções, sob questões de ideologia, política ou geopolítica de qualquer tipo de projeto e interesses às reservas naturais e não se justifica o uso de força. O Brasil defende a autodeterminação dos povos”. Os EUA e os russos não gostam muito dessa história de autodeterminação dos povos e liberdade comercial. Em 1961, o então vice-presidente, João Goulart, em plena Guerra Fria, em uma missão diplomática e comercial na China, discursou: “o Brasil, como um país livre, defende a autodeterminação dos povos e o livre comércio com a China e a URSS”. Resultado: A rápida reação de setores conservadores e militares no país contribuiu para a crise política que culminou no golpe militar de 1964. Os dirigentes europeus, incompetentes e otários, no palavrório de boteco, apoiaram a Ucrânia acreditando no fortalecimento da OTAN, na redução do poder dos russos e, claro, na continuidade do fornecimento de petróleo, especialmente do gás natural barato russo. Trump e a sua trupe do mal de extrema-direita, logo revelaram ao mundo, o verdadeiro interesse na guerra: as terras raras e riquezas dos ucranianos. Ao se sentirem ameaçados pelo poder tecnológico, de infraestrutura e econômico da China, trataram de tomar o petróleo venezuelano. Mas, por que? Em verdade, o que está por trás, as grandes mídias não revelam. Após a Segunda Guerra, os EUA construíram um sistema onde nações inteiras viviam uma ilusão – pensavam que tinham soberania. Em verdade, os EUA, controlavam suas produções, políticas, economias e seus governos. Pois é, essa arquitetura imperial, parece estar afundando. O Paraguai deu o pontapé inicial ao expulsar as três corporações agroindustriais norte-americanas: Cardil, Archer Daniel e Bangi. Empresas que controlam 70% do comércio global com receitas anuais de 450 bilhões de dólares. Resumo da ópera: “O Paraguai assinou um contrato com a China que ofereceu comprar a totalidade da produção paraguaia de soja a preços 18% superiores que pagavam as corporações americanas, com pagamentos em Yuan digitais que evitam completamente o sistema Swift controlados por Washington”. E esse não é um ato isolado do Paraguai que está abalando a dolarização da economia imposta pelos EUA. Solução: Dominar os territórios estratégicos e riquezas de países que os interessam como Venezuela, Cuba, Panamá, Groenlândia, Canadá e, depois, a cartada final, o gigante adormecido. O “secretário da guerra”, Pete Hegseth resumiu o babado após criticar a influência da China no Canal do Panamá: “Com o presidente Trump, a América está de volta: vamos recuperar nosso quintal”.
Com o presidente Trump, a América está de volta: vamos recuperar nosso quintal
