A briga é feia. O ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT), o jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli (Globonews), o pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo) e o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) intensificaram em fevereiro, chegando até este Carnaval, uma luta encarniçada para ver quem ocupará o lugar do agressivo e improdutivo Olavo de Carvalho. Autointitulado “filósofo”, Olavo se notabilizou pelo discurso reacionário, áspero, neurastênico e apartado da realidade. Com base em teorias da conspiração e dados criados por ele mesmo, defendia o bolsonarismo e a legalização do nazismo, acusava empresas de refrigerantes de práticas condenáveis e pregava contra a vacinação – alegava que a Covid-19 era ficção e morreu vítima da doença. Também dizia que cigarros não fazem mal à saúde e tentava criminalizar movimentos progressistas. Além disso, afirmava que a terra é plana e duvidava que homem havia ido à lua, exigindo a liberação de armas e condenando artistas e agentes culturais e militantes feministas e LGBT. Ciro, Magnoli, Malafaia e Arthur Virgílio, cada qual com seu samba-enredo, travam, no ritmo de rancores e interesses não expostos, um embate nas redes sociais como se quisessem se apropriar do espólio de Olavo de Carvalho. Usam as plataformas digitais para espalhar “análises” e xingamentos, hostilizando desafetos e, aqui e acolá, o bom senso. Não se recomenda a ninguém que fique na torcida de um ou de outro – é grande o risco de danos a quem olhar muito de perto.
Tudo tem limite, né?
Jair Bolsonaro está disposto a não confiar mais em bolsominion nenhum. Primeiro foi André Fernandes, que requereu CPMI para investigar o golpe de 8 de Janeiro – o que ainda, como se sabe, dá dores de cabeça medonhas no ex-presidente. Agora, senadores aliados estão querendo acabar com as “saidinhas” de presidiários da cadeia. O que vão querer depois, esses ingratos? O fim da visita íntima?
Solidário
O deputado bolsonarista Reginauro Souza (União) foi voz solitária a defender no plenário da Assembleia do Ceará o presidente de outra sigla, Valdemar Costa Neto, o sujeito que manda no PL. Na tentativa de dar uma mãozinha ao Valdemar, disse que ele “não foi preso por corrupção”. Foi, na verdade, enjaulado por ter em casa uma arma sem registro e uma pepita de ouro sem origem legal. Muito bonito, isso!
Aprende, Reginauro
Quanto a corrupção, alguém precisa avisar ao Reginauro que o colega (dele) Valdemar foi preso por corrupção, sim. Em agosto de 2005, o chefão do PL confessou na CPI do Mensalão ter recebido R$ 6,5 milhões no esquema. Valdemar da Costa Neto terminou sendo condenado a sete anos e 10 meses de xilindró. A sentença foi dada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A prisão foi decretada pelo STF em 5 de dezembro de 2013 e, pelas graças da Justiça, passou só 11 meses vendo o sol nascer quadrado.
Convenhamos
Destemido e pronto para defender os líderes do 8 de Janeiro, Reginauro Souza atacou frontalmente o Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a corte mais alta do País “trabalha para prender aliados e familiares” do ex-presidente Jair Bolsonaro. Cá entre nós e a torcida do Fortaleza: se o deputado-bombeiro estiver mesmo certo, o STF não está sendo muito bem-sucedido.
A galope
Ligado ao agronegócio, o deputado Samuel Viana (Republicanos-MG) quer que o Brasil incentive criadores de cavalos Manga-Larga e apoie a exportação dos bichos. A matéria ainda passará pelas comissões de Agricultura e Constituição e Justiça. Enquanto o parlamentar se preocupa com cavalos de raça, segue no País uma matança de jumentos que extermina 1,2 mil animais por dia – só entre 2015 e 2019 o abate de aseninos aumentou no País mais de 8.000%, segundo a Universidade de São Paulo.
Alcidão topless
Não se pode imaginar de onde o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) tirou a ideia de dispensar de requerimento médico pacientes com mais de 40 anos que precisem de mamografia na rede pública de saúde estadual. O exame é caro e tem alta demanda. Se não houver requisição médica, vão-se perder os controles técnico e financeiro do serviço. Mas Alcides, sabe Deus o porquê, resolveu atentar contra a mamografia, os profissionais e as pacientes.
