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Cem crônicas publicadas

Uma centena de textos publicados neste jornal. Linhas escritas aos prantos, sorrindo, ansiosa, atarefada, motivada… No computador, no...

Uma centena de textos publicados neste jornal. Linhas escritas aos prantos, sorrindo, ansiosa, atarefada, motivada… No computador, no caderno, na agenda, no celular… Um marco, sem dúvida, que percebi, por acaso, estar transpondo nesta terça, dia 21 de abril, feriado nacional quando arrumei minha pasta de crônicas no notebook de casa. 

Ser cronista em um tempo em que os jornais estão cada vez mais enxutos e na velocidade da jornada tripla de trabalho é resistência. É, sobretudo, desejo de seguir encontrando a leveza no meio da correria, do caos que se impõe nas transformações que a vida exige. Me sinto na missão de comunicar os pequenos presentes do cotidiano para aliviar a rotina de tantos ansiosos, que como eu, precisam continuar, nos dias bons e ruins, a viver. 

Escrevo crônicas como quem deságua, muitas vezes. Em outras, me limito a contar as minúcias do que vem ocorrendo na minha vida normal. A de sempre. Nas múltiplas jornadas como profissional da escrita, mãe, mulher e, acima de tudo, uma curiosa observadora do que tem cruzado o meu caminho, seja a pé, nos 4 quilômetros diários que caminho para deixar meu filho na escola e ir na academia, seja nos 15 quilômetros nos transportes públicos, quando preciso trabalhar presencialmente. 

Nesses caminhos, geralmente, é quando surge o mote para as crônicas. Também já ocorreu de surgir de sonhos, embora eu quase nunca me lembre deles. Tem gente que escolhe até um caderno especial para deixar do lado da cama e assim anotar toda manhã as viagens das noites dormindo. Se fosse fazer isso, esse caderno ia durar anos. 

A maternidade, com suas culpas, dores e divertimentos, é outra grande inspiração nos textos que publico. Hoje mesmo, ao passar pelo viaduto da Avenida 13 de maio, meu novo caminho para o trabalho, lembrei dos tempos em que voltava para casa de ônibus com minha filha de dois anos nos braços por esse mesmo caminho, também no transporte coletivo, mas em outro ônibus. O viaduto era o “bem grande”, um dos muitos recursos que tive que criar para entreter e distrair essa criança que precisava atravessar mais de 10 km todos os dias comigo para a creche. 

Fortaleza, meu amor tricentenário, já foi tema de diversos textos por aqui. Não canso de me surpreender com a capacidade de transformação da capital cearense. E, refletindo no que aconteceu nos últimos anos que me tornei colaboradora do jornal, a cidade segue como o chão das minhas melhores histórias pessoais, nos passeios com meus filhos, amigos, namorado. Ela é minha e faço questão de explorar os pontos turísticos, praças e parques. Quero seguir cultivando minhas melhores memórias – que geralmente transbordam em crônicas – nessa cidade que me acolheu.

Mesmo com tantas motivações, o compromisso de entregar um texto por semana ainda é o maior gerador das linhas que preciso escrever. Acredito que os outros cronistas semanais de outros tempos também eram desse jeito. Até porque, nos meus tempos de editora, encontrei um certo cronista que repetia os mesmos textos depois de alguns meses. Talvez, por não encontrar a criatividade para um texto novo. Às vezes, a inspiração tira férias e quem a substitui é o bloqueio criativo. Muitos desistem das colunas quando isso ocorre. Deve ser um terror. Tomara que eu escape desse pesadelo.