Vire e mexe, fico pensando na frase “A humanidade não vale nada”, especialmente após a pandemia de covid-19 e das bobas projeções sobre o futuro de uma humanidade menos individualista e mais altruísta. A expressão, inclusive, aparece em textos filosóficos, literários ou pessimistas ao longo da história. O filósofo alemão, Arthur Schopenhauer, conhecido por seu pessimismo a respeito da natureza humana, expressou ideias similares, como: “A vida é um negócio que não cobre os custos.” E por falar em negócios e custos, os norte-americanos são craques nisso. Quem diria que, após a pandemia de covid-19, a humanidade ficasse cada vez mais individualista, guerras ressurgissem com interesses cada vez mais sórdidos, tarifaços e, agora, ao vivo e a cores, com imposições sobre a soberania dos países, incluindo o Brasil. Quem se ocupa um pouco no entendimento da história sabe que o “gigante adormecido”, de fato, nunca se libertou do domínio político, econômico, cultural e ideológico do Tio Sam. No contexto da Guerra Fria, esse domínio ficou cada vez mais evidente quando o governo nacionalista de Vargas (1951-1954), adotou o nacional-desenvolvimentismo impulsionando a industrialização e o desenvolvimento econômico, criando estatais como BNDES, a Petrobrás, fortalecendo a soberania nacional. Essa cisão e afastamento da ingerência dos EUA, levou Vargas a sofrer oposição da UDN e de uma elite próxima aos interesses norte-americanos. Além disso, a neutralidade de Vargas na Guerra da Coreia irritou o Tio Sam, levando o presidente Eisenhower a pressionar o governo brasileiro. Daquele momento em diante, os governos nacionalistas brasileiros que adotaram medidas de oposição ou que não agradaram os interesses econômicos dos “yankees”, sofreram pressões como Vargas em seu segundo governo, Juscelino Kubitschek e João Goulart, este inclusive, deposto pelo golpe militar de 1964, e agora Lula. Pois é, essa elite, militares que ainda são formados como se vivessem no contexto da Guerra Fria, juízes, inclusive do STF, a turma do centrão e do agronegócio já prenderam Lula. Agora, o inimigo de sempre sob o comando de um presidente de extrema-direita, Trump, que para fragilizar economicamente o Brasil e o governo Lula, anunciou nas redes sociais uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, não escondendo o viés político-ideológico: “A suposta caça às bruxas” contra Bolsonaro e ataques brasileiros às eleições americanas”. Como sempre, os interesses e as motivações econômicas vieram e bem explicadas por Donald: “Temos tarifas em vigor porque queremos tarifas e queremos o dinheiro entrando nos EUA”. Como não bastasse, o documento do representante do comércio dos EUA, apresentou uma lista de políticas e atividades econômicas do Brasil que seriam injustas e prejudiciais às empresas daquele país, destacando ainda a falta de combate a corrupção pelo Brasil, de proteção da propriedade intelectual, inclusive citando a rua 25 de Março de São Paulo, criticando o STF por ampliar e responsabilizar as plataformas digitais por seus conteúdos e práticas de comércio digital de empresas como – Google, Meta (Facebook, Instagram), Apple, etc e do pagamento eletrônico, leia-se: pix. Pois é, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro que atualmente mora nos EUA voltou a defender a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros e de outras possíveis medidas que poderiam ser tomadas por Trump em relação ao governo e aos brasileiros como: “congelamento de bens e cancelamento de vistos”. E pode um deputado licenciado ir morar em outro país, minar um governo eleito democraticamente e pedir apoio ao pai de forma aberta, mesmo estando sendo julgado no devido processo legal? Cadê o Congresso Nacional? Pode o presidente de outro país interferir no STF, o nosso guardião máximo da Constituição brasileira e a instância judicial mais alta do país e na nossa soberania? Tempos difíceis!
