Empreender no Brasil nunca foi uma tarefa simples. Em meio a desafios econômicos, carga tributária elevada, dificuldade de acesso ao crédito e exigências cada vez maiores do mercado, os jovens empreendedores têm buscado mais do que apenas capacitação técnica: eles procuram conexão, troca de experiências e ambientes que fortaleçam a construção de lideranças, e os números mostram que essa nova geração está cada vez mais presente no mundo dos negócios.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), analisados pelo Sebrae, revelam que o número de donos de negócios entre 18 e 29 anos passou de 3,9 milhões, em 2012, para 4,9 milhões em 2024, um crescimento de 25% no período. O dado evidencia não apenas o avanço do empreendedorismo jovem no país, mas também uma mudança significativa no perfil de quem deseja construir carreira, gerar renda e impactar a sociedade por meio dos negócios.
É exatamente nesse contexto que o associativismo ganha relevância estratégica. Mais do que reunir empresários, entidades associativas funcionam como verdadeiros ecossistemas de desenvolvimento humano, profissional e institucional. Elas criam pontes entre jovens lideranças, estimulam o networking qualificado, promovem capacitações e fortalecem a cultura da colaboração, um elemento essencial em tempos de mercados cada vez mais competitivos.
Foi justamente sobre essa temática que os jornalistas Karla Sousa e Jordan Vall receberam, no programa Mesa de Negócios, da Opinião CE, João Pedro de Castro, novo coordenador geral da Associação de Jovens Empresários de Fortaleza (AJE Fortaleza).
Durante a entrevista, João Pedro destacou o papel histórico da entidade no fortalecimento do empreendedorismo jovem no Ceará. Há 37 anos, a AJE Fortaleza atua na formação de lideranças empresariais, sindicais e sociais, reunindo jovens empreendedores em um ambiente multissetorial voltado à troca de experiências e ao desenvolvimento coletivo.
O associativismo empresarial, nesse cenário, deixa de ser apenas uma ferramenta institucional e passa a representar um diferencial competitivo. Afinal, muitos negócios nascem de conexões, parcerias estratégicas e oportunidades construídas dentro desses espaços de convivência e aprendizado.
Outro ponto importante abordado no programa foi a sucessão familiar. João Pedro falou sobre os desafios de assumir responsabilidades empresariais em um mercado em constante transformação, ressaltando a importância de profissionalizar a gestão sem perder a capacidade de inovar. Um tema cada vez mais atual diante do número crescente de jovens que passam a integrar empresas familiares no Brasil.
A conversa também trouxe reflexões sobre os principais obstáculos enfrentados pelo empreendedor jovem: qualificação de mão de obra, burocracia, crédito e sustentabilidade financeira. Segundo João Pedro, além da preparação técnica, características como resiliência, capacidade analítica e visão estratégica são fundamentais para quem deseja empreender com longevidade. Talvez esteja justamente aí um dos maiores méritos do associativismo: oferecer ao jovem empreendedor algo que vai além do conhecimento formal. Oferecer pertencimento.
Em um ambiente empresarial que muitas vezes pode ser solitário, entidades como a AJE Fortaleza criam espaços de apoio, inspiração e construção coletiva. Ambientes onde jovens líderes aprendem não apenas sobre negócios, mas sobre impacto social, desenvolvimento humano e responsabilidade com o futuro.
Ao final, o recado deixado pelo Mesa de Negócios é claro: o empreendedorismo jovem cresce quando existe conexão. Cresce quando há incentivo, formação, diálogo e representatividade. E o associativismo segue sendo uma das ferramentas mais poderosas para transformar talentos individuais em movimentos capazes de gerar desenvolvimento econômico e social para todo o Ceará.
73% das empresas planejam usar IA para automatizar atividades jurídicas
A transformação digital já é uma realidade no setor jurídico. Mais de 70% das empresas com departamentos jurídicos corporativos planejam utilizar tecnologias como IA para gestão de fluxos, automação de tarefas e análise de dados, segundo o relatório Thomson Reuters State of the Corporate Law Department. O estudo também aponta que a adoção de legal operations cresce em busca de eficiência, controle de custos e maior previsibilidade nas decisões.
Outro levantamento da McKinsey indica que até 45% das atividades jurídicas podem ser automatizadas com tecnologias já existentes, o que acelera a mudança do jurídico tradicional, antes focado em tarefas operacionais, para um modelo mais estratégico e orientado por dados.
Fortaleza fica entre maiores cidades potenciais de consumo do País em 2026
Os moradores de Fortaleza devem movimentar cerca de R$ 91,5 bilhões em 2026 com consumo de bens e serviços, conforme a pesquisa IPC Maps 2026. O montante coloca a capital como a sétima cidade brasileira com maior potencial de consumo no ano e a primeira posição no Estado. Segundo o levantamento, o potencial registrou queda de 5% em relação a 2025.
A habitação aparece como o principal gasto previsto, totalizando R$ 19,7 bilhões, o equivalente a 21,5% das despesas. Em seguida, estão veículo próprio (R$ 10,9 bilhões), alimentação no domicílio (R$ 9,8 bilhões) e alimentação fora do domicílio (R$ 4,6 bilhões). O consumo per capita estimado para 2026 é de aproximadamente R$ 35 mil, cerca de 20,2% acima da média urbana estadual, de R$ 29,1 mil por ano.
