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Assim caminha o futebol brasileiro

Ando desapontado! Não com o jogo em si, até porque o futebol é a recuperação semanal da minha...
Foto: Nelson Terme / CBF

Ando desapontado! Não com o jogo em si, até porque o futebol é a recuperação semanal da minha infância. Mas pela perda da identidade nacional da Seleção Brasileira, exposta em uma atuação ridícula contra a Noruega na Copa do Mundo.

Escrevo sobre identidade nacional graças ao futebol, e aí me incluo, porque fui jogador, técnico, professor de Educação Física no ensino superior, comentarista esportivo e assinante de colunas de esporte em geral e, particularmente, de futebol.

É inacreditável que a Seleção Brasileira tenha tido menor posse de bola, em uma partida de Copa do Mundo, do que a Noruega. A bola ficou com os noruegueses durante 68% do tempo, enquanto os brasileiros permaneceram com ela por apenas 32%.

O falecido filósofo e poeta Augusto Pontes tinha uma teoria para medir o tamanho do futebol do Brasil. Segundo ele, dois aviões estão lotados: um de brasileiros e outro de estrangeiros. No desembarque, a exigência seria que eles se enfrentassem em uma partida de futebol.

Aleatoriamente, seriam formados times de estrangeiros contra brasileiros. A bola de cristal de Augusto previa vitória dos brasileiros na maioria dos jogos. Faz sentido. Estudo do CIES Football Observatory mostra que o Brasil lidera o ranking, com 1.455 atletas atuando no exterior.

A matéria-prima é qualificada. Encontra-se alguém com uma bola no pé, e com facilidade, nas ruas, nas praias, nos campos de várzea, enfim, em cada centímetro desses oito milhões de quilômetros quadrados. Não interessa refinar essa matéria-prima.

Controle emocional, compreensão, confiança e ética não são tarefas dos clubes brasileiros. O negócio é vender o jogador. Para isso, há sempre um empresário e um dirigente de plantão, fazendo do mercado a sua bússola e cumprindo o triste ditado: “Farinha pouca, meu pirão primeiro.”

Fomos eliminados da Copa nas oitavas de final por uma das 47 seleções. Nenhuma delas, nem a nossa, é dirigida por técnico brasileiro. E, para completar, nossos principais times são treinados por estrangeiros, enquanto somos os maiores exportadores de matéria-prima do mundo.