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Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade

Após chegar das merecidas férias em Sampa, em Alphaville, diga-se de passagem, uma cidade independente, uma amiga contou-me: “O marido milionário de uma prima minha nos convidou para um jantar. Eu comi wagyu, a carne mais cara do mundo. O jantar para 8 pessoas custou 60 mil reais, com vinho incluso. Dentro do condomínio também, o pai, pastor e sócio, realiza os cultos em um ambiente chique, com sala VIP reservada aos mais ricos. Eu ainda estou impressionada”.

Cá com meus botões, fiquei pensando e me perguntando: tanto dinheiro em um jantar para tão poucas pessoas não é um acinte aos que vivem na extrema pobreza? Hoje, são cerca de 7,4 milhões de pessoas no Brasil. E, sobre pregação, fé e riqueza, fiquei imaginando: já pensou se, no Sermão da Montanha, tivessem cobrado pelos lugares mais privilegiados, como a sombra das oliveiras mais frondosas?

Para quem não acreditava nos números apresentados e divulgados pelo Ministério da Saúde palestino, controlado pelo grupo terrorista Hamas, de que haviam sido mortos cerca de 50 a 60 mil palestinos no conflito, a coisa é ainda pior. O número divulgado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) de palestinos mortos em decorrência da guerra na Faixa de Gaza assusta: “passam de 70 mil”. Estranho que ninguém se lembra mais da violência, destruição e mortes daquela população.

Em nosso país, temos uma guerra não tão velada assim. De acordo com as pesquisas: “O Brasil registrou queda nas mortes violentas pelo quinto ano seguido – sendo de 34.086 casos em 2025, contra 38.374 em 2024”.

Se, por acaso, os iluministas voltassem e constatassem os dados sobre a violência e assassinatos contra as mulheres, talvez ficassem estarrecidos. Eis os dados: “O Brasil registra um recorde histórico de feminicídios, atingindo cerca de 1.470 a 1.518 mulheres assassinadas por questões de gênero”. A tradução da velha e boa matemática assusta e representa uma média alarmante de 4 mulheres mortas por dia.

Pois é, não deu certo a crença dos positivistas do grupo político e filosófico sob a influência de Auguste Comte, de que o avanço econômico e científico traria o avanço moral da humanidade. Pelo menos em relação à questão de gênero, na Terra Brasilis, não está dando certo.

E, por falar em violência contra as mulheres, já está na hora de os pesquisadores brasileiros buscarem fazer as perguntas certas para entenderem por que essa violência só cresce por aqui e por que continuará a crescer.

Justificando que assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade, o New START, o tratado de redução de armas nucleares entre os EUA e a Federação Russa, assinado em 2010, está com seus dias contados. O governo de Joe Biden havia restringido o arsenal nuclear de cada país, inclusive sobre o alcance a 1.550 ogivas para cada um. O tratado também garantia que os dois países, EUA e Rússia, realizassem inspeções sobre as instalações nucleares de ambos.

Putin, em 2023, após invadir a Ucrânia, suspendeu as inspeções, mas, com a proximidade do fim do acordo, estava disposto a negociar sobre novos termos. Trump reagiu e saiu com essa: “Em vez de prorrogar o New START, um acordo mal negociado pelos EUA, que, além de tudo, vem sendo gravemente violado, deveríamos colocar nossos especialistas nucleares para trabalhar em um tratado novo, aprimorado e modernizado”.

Não precisa ser analista de geopolítica para entender o recado: os países continuarão a fabricação de armas nucleares. Para acabar de completar, a China, que é o maior exército do mundo, não para de fabricar ogivas – “de 2019 a 2026, a China dobrou o número de ogivas de 300 para 600”. Ainda assim, é a Rússia que possui o maior número de ogivas do mundo, quase 550.

A tal Guerra Fria, que nunca acabou, está batendo à porta de novo e amedrontando países. Vixe, após a pandemia de COVID-19, os inocentes acreditavam que a humanidade ficaria mais humanizada e altruísta.