Sentado numa clínica odontológica e esperando a hora de ser chamado aguardo desenhando. Ao meu lado um cidadão puxa conversa e diz: “cada louco com sua mania”. A minha é desenhar triângulos de formas diferentes dentro do espaço definido pelo retângulo do papel.
O número três tem a ver com a minha formação. Ex-aluno do Colégio Salesiano de Santa Rosa, em Niterói, tinha a cabeça povoada pelos três reis magnos, pela Santíssima Trindade com o pai, o filho e o Espírito Santo e a Sagrada família com José, Maria e Jesus.
Têm a ver com a trajetória, nascimento vida e morte, dos seres vivos. A composição do ser humano com o corpo, a alma e o espírito. As três esferas concêntricas do Universo, com o humano, o natural e o divino e a crença chinesa aonde o número três representa o homem, a terra e o céu.
No futebol o três aparece a todo o instante. No WM, o mais equilibrado dos sistemas táticos, aonde 2/3 da sua configuração é representada por triângulos, daí as orientações técnicas para os jogadores fazerem triangulações e tentarem iludir os adversários.
A articulação das jogadas ofensivas e a frase de Gentil Cardoso quem desloca recebe quem pede tem preferência é um achado. Um jogador está com a bola no vértice de um triângulo, no outro vértice pedem o passe, mas quem recebe a bola é quem se deslocou. Uma pena que não poderemos ver hoje á noite contra o Sport, lá no Recife, a triangulação alvinegra entre Mateus Bahia, Lucas Mugni e Érick Pulga. Esse trio tem sido a grande esperança ofensiva do Ceará nos jogos da série B. Mugni é o arco e Pulga e a Flecha.
Os triângulos também servem para as manobras defensivas. A partir da ocupação dos espaços e da solidariedade dos jogadores é possível desenvolver uma marcação que poderá ser baixa, média ou alta com os jogadores se multiplicando por três.
