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As consequências do terror vão além das grades

A mulher do primeiro condenado pelo terror de 8 de janeiro deu entrevista à revista Veja desta semana. A estudante de administração Lucinéia Neusa Ferreira contou do perrengue que atravessa desde quando o marido, Aécio Lúcio Costa Pereira, foi enjaulado pela Polícia, ainda no dia do ataque bolsonarista aos três poderes. O casal tem dois filhos menores. Paralelamente, a revista IstoÉ publicou matéria com a cearense Roberta Jérsyka Oliveira Brasil Soares, universitária de 35 anos de idade que disse à Justiça que estava “orando” enquanto companheiros de ato tentavam destruir a Democracia e dilapidavam o patrimônio público.

Roberta ostenta lustrosa tornozeleira eletrônica e está na fila do banco de réus do STF. Os dois casos são exemplares. No primeiro, apontam-se as consequências do fanatismo: uma família terá de amargar vergonha, afastamento e dificuldades por longos 17 anos. No segundo, independentemente do que conclua júri da “piedosa” estudante cearense, serão grudadas na testa dela – que ambiciona ser médica – as marcas de vândala, delinquente e inconsequente. Para Aécio já se sabe que ele poderá requerer a chamada “bolsa-presidiário”, importância dedicada pelo estado, desde a gestão FHC, para criminosos que têm dependentes. Quanto a Roberta, o futuro a Deus pertence. Ou do STF depende.

PARA TODOS

De comum, Aécio, Roberta e todos os bagres pequenos capturados pelos policiais têm obtido o silêncio e o abandono dos líderes. Os beneficiários do golpe de 8.1 não deram uma palavra sequer como manifestação de apoio aos que induziram a invadir e quebrar as sedes dos três poderes. Será assim para todos. E segue o baile.

MAIS UM

A propósito, está prevista para hoje (26.1, terça) a participação do general Augusto Heleno – braço-direito de Jair Bolsonaro – na CPMI do Golpe, no Congresso Nacional. O militar vai sentar na mesma cadeira na qual estiveram outros nomes ilustres do bolsonarismo, como Wellington Macedo e George Washington. Outro condenado pela bomba no aeroporto de Brasília, Alan Diego dos Santos, também terá a chance de “cantar” perante os deputados e senadores, mas só na próxima quinta.

FALA GROSSO, FALA FINO

Metido a valentão, Heleno é aquele que, perguntado por um fanático bolsonarista se “bandido sobe a rampa do Planalto”, disse que “não”. Era referência ao presidente Lula, a quem o general dedica um coquetel de horror, inveja e muito medo. Não é recomendável esperar do militar, diferentemente de antes, gesto de estímulo e esperança aos seguidores de Bolsonaro.

MACIÇAMENTE

A Assembleia Legislativa realiza quinta-feira, 28, na Escola Clemente Olintho Távora Arruda, em Baturité, sessão itinerante. A agenda integra proposta de ampliação de campos de diálogo do Alece com segmentos sociais. A atividade deverá reunir, além dos parlamentares, representações dos municípios da Região: Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção.

MÃOS À OBRA

O Governo do Estado estima que até o fim do ano sejam contratados 5.828 serviços de trabalhadores autônomos por meio do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho. As categorias com maior demanda deverão ser as de faxina, serviços gerais, garçom, lavagem de roupas e passador. Parece pouco, mas é uma força e tanto.

DOE

Tramita na Câmara federal projeto que obriga as faculdades de Medicina a reservar locais para a coleta voluntária de sangue dos alunos e servidores e a realizar campanhas de estímulo à doação de sangue. Depois do vexame público da masturbação coletiva de um grupo de estudantes de Medicina num jogo de vôlei universitário em São Carlos (SP) era o mínimo que se poderia esperar do setor.

LÁ E CÁ

Esta Coluna é publicada às terças e quintas-feiras e aos sábados no jornal Opinião (www.opiniaoce.com.br) e no portal InvestNordeste (www.portalinvestne.com.br). Os textos também estão no site https://bit.ly/3q4AETZ.