Os esportes, tal como conhecemos, foram introduzidos gradativamente no Brasil. Imigrantes e filhos de brasileiros que estudavam no exterior trouxeram as primeiras bolas. O futebol devemos a Charles Müller. Propagou-se rapidamente. As normas eram definidas pelas entidades privadas.
As pessoas se organizavam como queriam, e o futebol passou a ocupar um espaço importante. Percebendo no esporte um instrumento de projeção e aumentando o populismo de seu governo, Getúlio Vargas interferiu na vida esportiva nacional, criando o Conselho Nacional de Esportes (CND).
Publicou o Decreto-Lei nº 3.199/41, edificando o sistema desportivo nacional, congregando confederações, federações e ligas. O governo, à época do Estado Novo, ganhava um mecanismo importante, útil para ajudar a manipular as massas e mexer com o orgulho do cidadão comum.
As consequências dessas políticas governamentais até hoje estão por aí. Não tem erro: os maiores monumentos dos estados brasileiros são os estádios de futebol. A Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, procurou cativar o povo por meio dessas construções. Doze estádios foram construídos ou completamente reformados para a competição.
Arena Pantanal, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Arena de Pernambuco, Arena da Baixada, Arena Castelão, Mané Garrincha, Arena Corinthians, Fonte Nova, Beira-Rio e Ligga Arena. Alguns viraram elefantes brancos e quase não têm jogos, gerando a sensação de que são dinheiro jogado fora.
A Arena Castelão não faz parte dessa manada. É muito utilizada e tem muitos jogos. Há um programa governamental para o qual tiro o chapéu: as “Areninhas”. Corria o ano de 2010 quando Márcio Lopes, secretário adjunto da Sejuv, chamou-me à sua sala. Abriu um calhamaço de folhas na minha frente e começou a explicar.
Vamos fazer uma porção de campos. A especulação imobiliária está acabando com o futebol. Um campo de tamanho médio, tipo futebol society, e, quando houver condições, 11 para cada lado. Todos com grama sintética, porque o custo com a água é caro e não dá para ficar aguando todo o dia.
Um ano antes da Copa do Mundo, Márcio estava na Prefeitura de Fortaleza, e fui convidado para a inauguração da Areninha do Campo do América. A ideia vingou, e hoje são 443 areninhas espalhadas por todo o estado. O futebol é o carro-chefe, e milhares de crianças, jovens e adultos participam dos programas da Sesporte e das secretarias municipais.
