Quando ainda era um jovem professor, em plena eleição em 1989, o segundo turno revelava ao país dois candidatos representantes de classes antagônicas: Fernando Collor, empresário com formação universitária representando uma elite, e um ex-operário, Lula, que mal teve o direito de sentar nos bancos de uma escola. Com a permissão do voto facultativo e diante daqueles jovens que iam votar pela primeira vez, fiquei curioso e perguntei: “Quem vota no candidato Collor ou no candidato Lula?” Um garoto saiu com essa: “Se fosse o Eneas, eu votava. Ele defende que o Brasil deve ter bomba atômica para a nossa segurança.” Reagi e disse para a turma que o garoto tinha razão: “O Brasil, com a sua grande extensão territorial e riquezas que tem, precisa sim de bomba atômica e um maior poder bélico. Se não, o gigante vai ficar vulnerável às pretensões das grandes potências, como os EUA”. Pois é, nesta semana, após os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel ao Irã, o presidente francês, Emmanuel Macron, caiu a ficha: “Para sermos livres, precisamos ser temidos”. E, por falar em Irã, muita gente não sabe, mas os iranianos não são árabes. Os iranianos ou arianos, indo-europeus, se deslocaram do sul da Rússia por volta de 2000 a.C. e se fixaram no Planalto Iraniano e fundaram a civilização persa, hoje, atual Irã. Ciro, o Grande, foi o verdadeiro fundador do Império Persa. Ciro criou um novo modelo de dominação, ao dominar outros povos, respeitava as suas culturas e religiões. Além disso, não tinham apreço pela escravidão, preferiam pagar salários. E por falar em escravidão, foi Ciro quem libertou os hebreus, judeus do cativeiro da Babilônia, permitindo que retornassem a Jerusalém. Acreditem, foi Ciro que promulgou um decreto, descrito na Bíblia, restaurando a liberdade religiosa e o direito de repatriação aos povos cativos. Hoje, os judeus os atacam. Mas, isso é outra história. Essa história dos EUA de querer retirar do poder os Aiatolás e acabar com a teocracia iraniana e impor a tal democracia é uma falácia. No século V, antes de Cristo, segundo o relato do historiador Heródoto, os persas ironizavam a democracia ateniense: “Nunca temi homens que têm no centro de sua cidade um local para reunirem-se e enganarem-se uns aos outros com juramentos. Com essas palavras, Ciro insultou todos os gregos, pois eles têm suas ágoras [praças] onde se reúnem para comprar e vender e exercer a democracia. Os persas ignoram completamente o uso de ágoras e não têm lugar algum com essa finalidade”. No processo de expansão do Império Persa, reabriram um canal aberto anteriormente pelos egípcios que dava acesso ao Mar Mediterrâneo. Hoje, o famoso canal de Suez, construído por ingleses e franceses em 1869, por onde passa a maior parte do petróleo que abastece o Ocidente. Inclusive, o Irã é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e tem o maior banco com ouro e joias do mundo do Império Persa. Essa tal democracia norte-americana, que continua disseminando golpes militares e fazendo intervenções como fez vários países na América Latina, inclusive o Brasil, deixou marcas, como na Guatemala que continua uma democracia instável. Intervenções como na Líbia, com a execução do líder Muammar Kaddafi, no Iraque, com a prisão de Saddam Hussein que fora condenado à morte por crimes contra a humanidade e executado por enforcamento. Mas, se o Iraque não tinha armas químicas e biológicas como acusava o governo norte-americano, por que ao atacar e matar milhares de pessoas inocentes, George Bush não está preso e nem foi condenado a morte? O país democrata, como um xerife, pode desprezar a soberania de um país, invadir e prender o governante, como fez na Venezuela com Nicolás Maduro ou matar como fez com Ruhollah Khomeini, líder iraniano? O irã nem bomba atômica possui. Então, se justifica os ataques dos EUA e de Israel como segurança preventiva? Esse é o modelo de democracia governada por um pedófilo que defende a liberdade para as mulheres iranianas? Então, só eles os países dominadores, no caso, EUA e Israel podem ter bombas atômicas? Vixe! Bomba atômica foi feita para matar homens.
Após os ataques ao Irã: para sermos livres, precisamos ser temidos
Quando ainda era um jovem professor, em plena eleição em 1989, o segundo turno revelava ao país dois...
