Desde o início do ano que jovens tricolores me perguntam. O que está acontecendo com o Lion? Devo dizer que prefiro Leão a Lion, até porque quando fui campeão cearense em 1973 pelo Fortaleza, a língua inglesa ainda engatinhava nos “Ibeus” da vida.
Embora tenha amigos conselheiros no clube e um apreço pelo Marcelo Paes, não sou de ficar especulando o que se passa lá dentro. Não tenho a menor vocação para repórter investigativo e, como sou cronista, adapto as notícias do dia a dia ao meu modo de ver o mundo.
A semana que passou não se falou em outra coisa. Renúncia ou demissão do Alex Santiago? Diante dos fatos, o diretor de futebol se apresentou na televisão dizendo que havia pedido demissão. O clube comunicou oficialmente que o diretor transgrediu um comportamento ético.
O assunto poderia ser resolvido internamente, mas o time tem jogado mal e a campanha que o clube vem fazendo na Copa do Nordeste e na Libertadores deixou todo mundo com os nervos à flor da pele. Problema para o diretor do departamento de futebol.
O Leão terminou o brasileirão de 2024 entre os quatro melhores colocados. À exceção de Hércules, vendido para o Fluminense, manteve-se o elenco. Fruto de sua organização, deu-se ao luxo de ir ao mercado com uma lupa na mão, procurando por dois ou três jogadores que somariam aos que lá estavam.
Três jogadores chegaram. Davi Luís, Pol Fernandes e Deyverson. Comum a todos os três, a idade avançada é igual à experiência e à excelente qualidade técnica. Além de jogarem bem, existia a expectativa de que seriam importantes para levar o Fortaleza a um patamar superior.
Na prática, isso ainda não ocorreu. Os resultados negativos provocaram um curto-circuito no admirável trabalho de reconstrução dentro e fora do campo dos últimos sete anos. A energia que percorria esse fio, como se fosse um rastilho de pólvora, acendia uma chama no coração do tricolor que deu lugar a um blackout.
A volta das vitórias tende a acender a luz. O espaço conquistado pelo Fortaleza é um luxo e a vaidade é um pecado capital de todos nós. É preciso botar a cabeça no lugar e atentar que unir é coisa difícil. Como dizia Augusto Pontes: “A união se faz a força”.
