A sociologia é o estudo da vida social humana, de grupos e sociedades e tem como objeto de estudo o nosso próprio comportamento humano – individual, coletivo e governamental. Ações e comportamentos violentos que nos assustam e nos fazem perder a fé no homem e no que virá em um futuro próximo. Recebi pelas mídias a seguinte matéria – Pais culpam ChatGPT por suicídio do filho e processam OpenAI, e no corpo do texto- “Adam Raine, de 16 anos, morreu em 11 de abril após conversar por meses sobre suicídio com ChatGPT”. No processo judicial, a família alega que a empresa estava ciente de que a versão dessa inteligência artificial poderia representar riscos para usuários vulneráveis por imitar empatia humana e validando pensamentos suicidas do filho. Nesta semana, também, o meu filho, que trabalha na área da saúde, chegou em casa com um olhar vago, triste e desabafou – “Eu já disse à minha professora que não me sinto bem estagiando em hospital pediátrico. Tem meninos que sei que eles nunca vão escrever o próprio nome e nunca vão chutar uma bola, e ainda sorriem. Me deixa muito mal”. E hoje, qual foi o motivo? “Um menino de onze anos contou-me que o sonho dele era ser chefe da bocada quando crescesse, e para completar, uma mãe estava dopando o filho de cinco anos para que aparentasse doente e não perdesse o auxílio do governo. Onde vamos parar?”. Entre uma argumentação e outra, disse-lhe – a realidade é dura e muitas vezes cruel, valorize o pouco que você tem. Percebe que o garotinho do hospital que tem tantas limitações não quer morrer e nem tão pouco o outro que quer comandar o tráfico de drogas e ter poder. Em contrapartida, recentemente, dois jovens colegas professores tiraram a própria vida. Veja o que está acontecendo com o povo palestino. Após os ataques israelenses, por entre os escombros, todos se ajudam como podem, inclusive dividindo a comida – ninguém quer morrer. E por falar em lutar pela vida e o suicídio, o sociólogo francês Emile Durkheim, ao examinar registros oficiais de suicídio na França, descobriu que algumas categorias de pessoas eram mais predispostas a cometer suicídio do que outras. Ele observou a concordância com a relativa presença ou ausência de integração e regulação nos casos de suicídio. Durkheim, descobriu, por exemplo, segundo o sociólogo Anthony Giddens, que “havia mais suicídios entre homens do que entre mulheres, entre protestantes em comparação a católicos, mais entre os ricos do que entre os pobres, e mais entre solteiros do que entre casados”. Pois é, o sociólogo francês identificou que as taxas de suicídio tendem a ser menores durante tempos de guerras. Observe que, diante dos ataques e da eminência da morte – como no caso dos palestinos que estão sofrendo com o genocídio, ninguém pensa em suicídio, mas na sobrevivência, na vida. Por outro lado, os jovens professores por motivos mais complexos e talvez que nunca se saiba, mas conta-se que ao se separarem, acabaram ficando mais depressivos e levados ao tipo de suicídio anômico identificado por Durkheim. Segundo ele, o suicídio anômico é causado por falta de regulação social. Para ele, o casamento protege contra o suicídio ao integrar o indivíduo a um relacionamento social estável. A perda de um ponto de referência fixo para normas e desejos ou disputas pessoais como o divórcio – “pode abalar o equilíbrio entre as circunstâncias das pessoas e seus desejos”, e aí, ao suicídio. Obviamente, o tema é complexo e profundo, mas o que dizer de um garoto de 11 anos que cometeu suicídio levado pela “empatia humana de uma IA” a pensamentos suicidas? Onde estava a educação dos pais e a escolarização no ambiente escolar que não conseguem fazer um garoto com essa idade discernir o mundo real do mundo virtual?
