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A omissão e o silêncio diante da injustiça

Estava eu conversando com um amigo novo que não frequentou Universidade, mas já sábio e curioso, perguntou-me: “Professor, os EUA podem ameaçar a nossa soberania? Os EUA podem decidir com a Rússia o fim da guerra com a Ucrânia sem a presença do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky? Os EUA podem ditar ordens ao nosso STF? A história tem dessas e, assim, dei-lhe exemplos com direito a poema.

No final da década de 1940, o alemão, Martin Niemöller escreveu: “A omissão e o silêncio diante da injustiça” sobre o início do domínio nazista na própria Alemanha. Eis o poema-testemunho – “Primeiro eles vieram…”, de Niemöller: “Primeiro levaram os socialistas, mas não me importei, porque eu não era socialista. Depois, levaram os sindicalistas, mas não me importei, porque eu não era sindicalista. Depois, levaram os judeus, mas não me importei, porque eu não era judeu. Depois, vieram me buscar – e já não havia ninguém para me defender”. O pastor Niemöller, que inicialmente via com simpatia algumas ideias nacionalistas de Hitler, ao ver as perseguições e violência contra judeus, comunistas e sindicalistas rompeu com o regime e acabou também sendo perseguido. O silêncio diante da injustiça, invariavelmente tem preço, mais cedo ou mais tarde a conta vem – no caso: não havia mais ninguém para defendê-lo.

Em 1938, Hitler começou o seu processo de expansão no território europeu, – invadiu a região dos Sudetos Tchecos, territórios pertencentes a Tchecoslováquia, alegando serem as populações dos Sudetos de origem alemã. Diante do mal-estar da situação com a soberania da Tchecoslováquia ameaçada, em setembro daquele ano foi realizada a Conferência de Munique, na Alemanha, com a participação da Itália, Reino Unido e França.

Problema: A Tchecoslováquia, o país afetado e mais interessado, não foi sequer convidado para tal Conferência. A França e o Reino Unido utilizaram-se da política de apaziguamento ou “política do medo”, permitiram a anexação dos Sudetos pela Alemanha, acreditando que, assim, evitariam a guerra. Percebendo a fragilidade e o medo das potências vizinhas, em maio de 1940 a Alemanha invadiu a França. Pois é, a omissão não evita conflito. Então, cuidado, pastores, bolsonaristas e a turma da extrema-direita ao se aproximarem tanto deles, abrindo mão da nossa soberania.

Eles já ameaçam dominar e anexar o Canadá, a Groenlândia, depois vão querer que vocês cedam territórios e as riquezas da Terra Brasilis. Aí, não haverá mais ninguém para defendê-los. O presidente Lula está certo em não se omitir e se curvar aos desmandos dos EUA. Ao se impor e apostar no multilateralismo e anunciar R$ 30 bi em crédito às empresas afetadas pelo tarifaço de Trump.

Com certeza, o Brasil ampliará e conquistará novos mercados para os nossos produtos. Quanto ao nosso judiciário, não há nenhuma Suprema Corte ou STF no mundo mais requisitado e midiatizado como o nosso. Como guardião da Constituição, o STF tem a responsabilidade de “zelar pelo cumprimento e respeito aos princípios e normas estabelecidos, garantindo a supremacia da Constituição e a proteção dos direitos fundamentais”. Enquanto não mudarmos o Congresso Nacional, o Centrão e companhia que legislam por causas pessoais não respeitando os direitos fundamentais dos cidadãos e os interesses nacionais, o STF vai ter que continuar na mídia.