Cada mãe tem uma forma de maternar. Um jeito único que parece diferente e próprio para cada filho que nasce dela. Tal qual o leite materno, que muda de acordo com a necessidade do bebê. Algumas vezes, mais forte de anticorpos para combater alguma gripe ou mais ralo porque está muito quente e ele precisa de água.
A menina que fui é teimosa e continua habitando no que eu faço, na maioria das vezes, mesmo eu sendo adulta. Então, coloquei essa meninice no meu maternar para deixar tudo mais leve.
Com o menino maior, como era minha primeira vez sendo mãe, eu tendi a romantizar muito as coisas e ser mais adolescente. Tinha um caderno diário, escrito com caneta em gel brilhosa, cheio de recortes e um álbum da Anne Geddes, com fotos e recordações, como mechas de cabelo, marcas do pé de bebê e da pulseirinha da maternidade. Também aprendi a fazer a massagem shantala para o bebê se acalmar, com direito a banho morno depois.
Já o menino menor sentiu o aperreio da mãe ter dois filhos sob a sua responsabilidade. O lúdico da minha meninice apliquei nas danças desengonçadas junto com ele nas músicas do Bob Zoom, Mundo Bita e Palavra Cantada.
Quando ele já andava e falava, pegava na mão dele e íamos juntos explorar os jardins do condomínio. Encontrávamos aranhas, besouros, lagartas, borboletas. Fazíamos desenhos e depois, era hora de olhar o pôr-do-sol com as vacas na beira do rio, tomando um achocolatado de caixinha.
Com o mais velho, treinei o olhar na ida e na volta da escola, a pé. Encontrávamos flores novas e caracóis. Às vezes, parávamos para alisar uns gatos. Na volta, vez por outra, um picolé ou um sorvete refrescavam o sol de meio-dia.
Criamos lagartas juntos, os três, para observarmos as transformações. De manhã cedo, corria para acordar os dois para verem a despedida das nossas borboletas, sempre nomeadas de forma exótica. Tivemos desde Peperton até Natalice e Joelma, essa última porque descobrimos que a espécie era borboleta rainha do Pará. Então, tinha que ser Joelma.
Mesmo com essas criancices e travessuras, os dois continuam me colocando para guerrear bravamente contra os fantasmas. Já me acordaram de madrugada assustados com pesadelos e imaginações aguçadas. Ambos acreditam que eu tenho o poder de dissipar o mal. O mesmo acontece com o nariz entupido e a garganta inflamada. Dizem eles que, ao dormirem comigo, acontece uma milagrosa facilitação da respiração. Não sei se é verdade ou gaiatice usada como desculpa para dormirem na minha cama.
Só sei que ser mãe, em mim, tem esses doces pormenores que me ajudam a rir nos momentos de perrengue que todas as mães têm. A maternidade tem um sabor agridoce, cheia de nuances muito únicas. As minhas são essas. Sei que cada mãe tem as suas. São detalhes que enchem nossos coração de esperança e ajudam a continuar o longo caminho.
