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A Lei do Máximo Esforço

O ano está acabando, e daqui a pouco vamos comemorar e descansar por alguns dias. O alívio que sentimos vem especialmente do contraste entre este curto período de descanso e o longo período de trabalho até aqui. Por um momento, pense nas pessoas mais interessantes e felizes que você conhece.

Se essas pessoas tivessem férias eternas, com dinheiro infinito, você acha que elas descansariam para sempre, deitadas em uma rede à beira-mar? Ou, depois de um descanso inicial, iriam começar a encontrar mais o que fazer?

Agora, pense nas crianças. Assim como os adultos interessantes e felizes, depois de um pequeno descanso, as crianças sempre buscam mais o que fazer.

Uma criança pode subir e descer um escorregador doze vezes seguidas. Mesmo aqueles escorregadores bem altos, de piscina, com muitas escadas. Em dias comuns, se tiverem liberdade, as crianças colocam e tiram suas roupas várias vezes seguidas, contam os grãos de feijão em um prato de comida, e passam vinte minutos insistindo na leitura de uma página de seus livros favoritos quando estão sendo alfabetizadas.

Muitas vezes, quando caminhamos com as crianças, elas escolhem o percurso mais difícil. Sobem nos bancos, pulam degraus, correm até a esquina e voltam três vezes… tudo isso enquanto nós, adultos, caminhamos em linha reta na calçada.

Nós quase sempre buscamos as formas mais simples de fazer as coisas. Até gente que gostava de criar está terceirizando o esforço e, assim, um pedacinho de sua humanidade, para as inteligências artificiais – que, como diz nosso Miguel Nicolelis, não são inteligentes nem artificiais.

Não estou glamourizando o trabalho. Sei que trabalhar dá trabalho mesmo, e que a remuneração injusta dificulta muito as coisas. Mesmo assim, existe uma dimensão da atividade humana que é essencial para que nos sintamos vivos. O esporte no final de semana, o preparo de um prato de comida especial para uma pessoa amada, consertar alguma coisa importante ou construir um sonho. Tudo isso nos faz humanos.

As crianças sabem disso, sentem-se vivas quando fazem coisas, e quando são livres, agem buscando sempre seu desenvolvimento pessoal e interior.

Um músico que goste do que faz passará horas a fio treinando as mãos, os ouvidos e o uso do seu instrumento. Um esportista também se esforça continuamente, seja na quadra ou na piscina. Nós não achamos estranho que um escritor reescreva um conto cinco ou seis vezes, e ele faz isso não porque é obrigado, mas porque é livre.

Tudo isso soa natural porque se trata de atividades humanas voluntárias. Ninguém se torna escritor, esportista ou músico por obrigação ou pressão dos pais.

Essas pessoas vivem pela lei do máximo esforço, e nós não sonharíamos em interromper ou redirecionar esses esforços.

O mesmo acontece com a criança. Ela vive a vida inteira pela Lei do Máximo esforço, desde que tenha liberdade para fazer o que é importante para sua vida interior. Seus esforços precisam ser respeitados.

Um Banquinho para Elevar a Criança

Em casa, muitas vezes as crianças querem fazer coisas e não conseguem, ou tentam e provocam pequenos desastres domésticos.

Foto: Reprodução/Internet

Uma parte desses problemas desapareceria se elas tivessem um banquinho leve, firme e estável para usar quando quisessem alcançar algo muito alto. Elas podem usar o banco para alcançar a pia do banheiro, um armário ou uma mesa, com conforto.

Esse banco precisa ter mais ou menos o tamanho de uma folha A4, quatro pernas, e precisa ser estável quando a criança estiver em cima dele. A casa precisa estar preparada para essa criança mais forte e livre, e os adultos vão aprender devagar a testemunhar a capacidade crescente de uma criança que se esforça ao máximo.