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A covid não dá trégua e o sumiço de Bolsonaro é, mais do que risível, preocupante

Jair Bolsonaro, a despeito de ser o presidente da República, sumiu, desapareceu, escafedeu-se. E, diferentemente do alívio que poderia representar em outras circunstâncias, isso é preocupante. O fato de abandonar graves e urgentes tarefas institucionais pode indicar duas hipóteses, não mais do que isso: 1) ou está tramando algo, considerando-se manifestações golpistas que infectam o País, estradas e entradas de quartéis; ou 2) está reconhecendo a patológica incapacidade de conviver com a Democracia e com a compostura do cargo.

Tem-se notado uma ampla mobilização nos meios progressistas para inibir qualquer agressão ao Estado Democrático de Direito, inclusive com alertas internacionais, mas é necessário que se projete e consolide outra resistência interna. Não como medida paranóica ou belicosa, mas como defesa estratégica dos direitos do cidadão.

A história se repete

Explicando: essa omissão final de Bolsonaro se registra quando paira sobre o País a ameaça da variante do coronavírus Pi e da subvariante QB.1. Associada a possíveis aglomerações estimuladas pela Copa do Mundo de Futebol, que começa no próximo domingo (20.11), uma nova onda da covid pode ser, como as anteriores, catastrófica.

Lacunas

De 31 de outubro a 15 de novembro – data de festejos cívicos pela Proclamação da República -, Bolsonaro só teve 17 compromissos oficiais. Não foram mais do que 10 horas de trabalho, considerando o tempo previsto para cada pauta.

O mesmo caminho

Mesmo com o recrudescimento da covid – que desde 2020 matou cerca de 689 mil brasileiros -, Jair Bolsonaro se reuniu com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, somente uma vez neste mês. Foi no último dia 9. E gastou nisso só 30 minutos. Abandonar o País à própria sorte é confirmar de uma vez por todas a propalada vocação genocida.

Mal menor

No período após a derrota para Lula, Jair Bolsonaro não foi uma vez sequer ao cercadinho do Palácio da Alvorada para empanturrar seguidores de factóides – o que se habituou a fazer desde quando foi empossado, em 2019.

Zero mais zero é igual a zero

Os filhos do presidente também estão inexplicavelmente quietos. O zero-um e o zero-três (o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro) só apareceram na Imprensa por terem requerido, sem esclarecer razão e pressa, cidadania italiana. O zero-dois (o vereador Carlos) e o zero-à esquerda (o desempregado Jair Renan) nem isso.

Fuga

No Ceará, o único bolsonarista que faz enxame nas redes sociais é o senador Luís Eduardo Girão, o vulgo “Paz & Bem”, conhecido ainda por acreditar em discos voadores. Em nenhuma postagem defende ações na área da saúde. Outros bolsominions, como os deputados André Fernandes, Noélio Oliveira, Francisco Cavalcante e Wagner Sousa, também tomaram chá de sumiço.

Som e letras

O festival Canoa Blues, que tem sessões em 25 e 26 próximos em Canoa Quebrada e em 10 de dezembro em Fortaleza (BNB Clube), tem na agenda a doação de livros para entidades do terceiro setor que atuam na comunidade. Também está programado lançamento do livro Para Belchior com Amor, coletânea de textos inspirada pela obra do compositor Antonio Carlos Belchior.

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