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A bizarrice bolsonarista tem reflexos no Ceará

Entre as muitas cenas bizarras produzidas após a prisão de Jair Bolsonaro, sábado (22), há uma que se reproduz nas redes sociais e que bate forte na consciência do cearense: um deputado estadual de menor expressão e de pálida atuação legislativa se posta diante da sede da Polícia Federal, em Brasília, faz um gesto parecido com o “sieg heil” alemão e berra uma saudação ao ex-presidente. Chama-se Carmelo Neto (PL) o parlamentar que desprezou o laço familiar do nome e se denomina agora de “Carmelo Bolsonaro”. É jovem. Profere discursos na Internet com teores divisionistas, persecutórios e ameaçadores. Os caracteres de Carmelo Neto (ou “Bolsonaro”, como queira) e das falas e atitudes que tem são indicações pertinentes da necessidade de ações profundas e urgentes, tão agudas quanto graves, que instituições educacionais precisam tomar – sejam públicas ou particulares. Em nome da inteligência, da formação moral, do respeito à diversidade, da luta contra a misoginia e o preconceito de gênero, da resposta firme ao fanatismo religioso ou político, da defesa do conhecimento e da reação à apartação étnica, é necessário que se adotem medidas às quais chamaremos aqui de “desbolsonarização”. Bolsonaro e cúmplices do 8 de janeiro de 2023 estão no xilindró, mas as ideias deles – e essas, como erva daninha, ainda podem prosperar – se mantêm em terreno adubado.

Novo rumo

O Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará estão se mexendo para firmar um acordo. As cortes querem fazer ato de cooperação para viabilizar a reintegração social de egressos do sistema prisional e no mercado de trabalho. O caminho seria a criação de escritórios sociais.

Réus

A propósito, a Justiça Eleitoral está de olho nos deputados estaduais do PL, já condenados pelo Tribunal Regional Eleitoral por escabroso desvio de votos em 2022. O TSE deve tratar do delito em sessão nesta quinta-feira (27). Carmelo, Alcides Fernandes, Marta Gonçalves e Silvana Oliveira sentarão de novo no banco dos réus por terem se beneficiado ilegalmente das cotas partidárias femininas.

Tem clima

E como a agenda tem-lhe sido sorridente, Lula mandou ajeitar o avião presidencial para vir ao Ceará em 3 de dezembro. A pauta é a inauguração do polo automotivo do Estado, com o qual o governador Elmano de Freitas (PT) pretende restaurar um setor do qual a economia local havia esquecido ou, pior, queria distância.

Aventuras

Poucos momentos do Ceará no mercado automotivo merecem atenção, destacando-se a criação de fábricas de buggies L.C. Amaro, Fyber e Magnata, entre os anos 1969 e 1986, e a absorção da marca de jipes Troller pela Ford, em 2007.

Perrengue

Há também a tentativa da indústria paulista Gurgel de se instalar no Ceará, no governo de Ciro Gomes. A Gurgel até havia arrumado farto dinheiro público – o que resultou num calote gigantesco contra o hoje extinto BEC, que era avalista da empresa com o BNB numa operação, não quitada, de US$ 3,5 milhões. Mas essa é melhor deixar pra lá.

Desigualdade

O Sebrae fez pesquisa nacional e chegou a uma conclusão aterradora: a renda das mulheres negras donas de negócios é 27% menor do que a de homens negros. Mas o desequilíbrio não para aí: as pretas ganham 48% menos do que brancas e 61% menos em relação a homens brancos. A renda média delas é de R$ 1.986, enquanto esse valor para mulheres brancas chega a R$ 3.780.

Antes que se alastre

Preocupado com arranhões à imagem que o aumento de impostos pode causar, o prefeito Evandro Leitão (PT) divulgou nota sobre o IPTU em Fortaleza: “A mensagem enviada à Câmara (…) não prevê aumento do imposto (…). A Prefeitura de Fortaleza está adequando a legislação municipal às regras da Reforma Tributária, (…) não implicando aumento de base de cálculo ou de alíquota, mas apenas definição de novos critérios para mensuração da base de cálculo”.