Trudurá Dorrico, colunista do UOL, ao meu sentir, bateu com sutileza no Ministraço Alexandre de Moraes: “… tem sido um expoente em defesa da democracia, revelando compromisso com o estado democrático de utilizado na linguagem política de maneira equivocada – e racista”. “Operação Tabajara” e “Tentativas Tabajaras” empregadas (pelo ministraço) para caracterizar o suposto plano antidemocrático arquitetado por Daniel Silveira e Jair Bolsonaro são racistas porque associam o nome do povo Tabajara, sociedade anterior à colonização europeia, à ideia pejorativa de falsa, ridícula e menor…
Forjado no imaginário à associação racista ao tratar os temas políticos cotidianos como sendo “tabajara”, no sentido de “falso” e “ridículo”. Ora, ora, vejamos como seria o troco, ao invés de se abaixar a cabeça com receio do revide de um exacerbado coice/sentença monocrática e quase divina prolatada pelo ministrim. Quem desrespeitou o povo Tabajara? O revide, embora existam os que se habituaram a engolir a batata frita debaixo de um sol de matar, sem apelar para o refrigerante bem ali, à mão. Quem? O ministrim, o carequinha arrogante, antipático, abusado, exacerbando nas manobras sobre a prancha de seu surf oportunista nas ondas perfeitas do momento.
A falta de respeito aqui escrita de propósito não é um julgamento apenas pessoal, que seria perfeito para os descontentes, com a figura do ministro, por se tratar de uma autoridade que de insignificante e sem a devida formação ratificada por um diploma legal, foi comendo pelas beiradas e quando menos se esperou, abocanhou as poses de vários de seus pares. Gilmar Mendes, sumiu. Lewandovski, submergiu, a mais linda das ministras, está apenas posando para a mídia, a ministra muito menos bonita, segundo a galera, pouco diz.
O bastão, o cetro, o trono, o microfone, a pose, a empáfia, estão com o ministrim que desrespeitou, a nação Tabajara. Seria justo dizer que o ministrim proferiu sentenças tabajaras só porque fez uso do cocar imaginário de poder para mostrar quem manda na aldeia? Não fossem os aplausos da primeira-dama que muito bem sabe dançar ao som de tambores africanos, despachos eficazes facilitariam colocar galinhas pretas, farofa e caninhas nas encruzilhadas por onde desfila a empáfia do super bald – careca, em tradução do bom inglês.
Em que pesem providências e julgamentos, sentenças, buscas, apreensões de ocasião, monocraticamente exibidas ao público simpático Lula atrevido, beijando de língua diante das câmaras (tem direito, é mulher dele e demonstrar o resto do fogo de palha passageiro é coisa dele, é uma estratégia da nova versão). Aproveitei o ensejo das observações cuidadosas da respeitada colunista Trudurá Dorrico para vingar aqueles que não gostam dos resultados, que nutrem ódio pela volta do que chamam de quadrilha e que aos poucos vão assimilando os Judas e Barrabás que trocaram de religião, de ideologia, porque ninguém é de ferro e dinheiro muito compra quem se exibe nas prateleiras de costume ou através de recados que chegam ao chefe interessado.
Não tenho motivos para, aproveitando a liberdade deste espaço, destilar raiva ou demonstrar simpatia pelo calvo senhor dos anéis. Estou na onda do desrespeito dele com os Tabajaras. Com muito mais direito que o ministro que já não anda, mas flutua. Não duvido que breve se formem procissões para encarecer milagres do todo-poderoso ministro, principalmente porque ele acreditou no que disse o próprio presidente: “não existe, na história desse país, ninguém mais honesto que eu; nem Jesus Cristo!” Cuidado, senhorzinho, cuidado! Jesus já andou perguntando, com alguma irritação, “quem é esse aí, mesmo?”
O filho de Deus não castiga. Vale o livre arbítrio, mas é de bom tom não exagerar. Um dia é da caça, mas o outro é o caçador. Por enquanto, o ministrim é quem tem a espingarda da justiça. Da espada, tanto faz.
*Texto do colunista Antonio Capibaribe Neto (antonio.capibaribe@opiniaoce.com.br)
