Em reunião na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) confirmou aos opositores do governador Elmano de Freitas (PT) que estará alinhado aos parlamentares bolsonaristas e ao grupo liderado pelo ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) nas eleições de 2026. Conforme informaram ao Opinião CE deputados que participaram do encontro, foi firmado um acordo para “deixar os desentendimentos de lado”. Ciro desponta como pré-candidato a três cargos majoritários: Governo do Ceará, Senado e Governo Federal.
A conversa, o “Café da Oposição”, que ocorre semanalmente, tem como objetivo promover o alinhamento do grupo. Nesta terça, o encontro ocorreu no gabinete do deputado estadual Cláudio Pinho (PDT). Ao Opinião CE, aliás, o parlamentar destacou que, apesar de os possíveis nomes ao Governo já estarem sendo discutidos, ainda não há nada pactuado. No primeiro momento, de acordo com ele, é preciso pensar no projeto. “Estabelecer um projeto sem vaidades. Que possa unir a oposição para disputar com o PT”, acrescentou.
Em coletiva após o encontro, Ciro citou que o pré-candidato ao Governo do Estado é o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). Conforme Pinho e a deputada estadual Dra. Silvana (PL), no entanto, outros nomes estão em discussão. Enquanto os dois levantaram a possibilidade de contar com o próprio ex-governador como o nome da oposição para o Palácio da Abolição, Silvana destacou o senador Eduardo Girão (Novo) como outro possível nome.
A deputada bolsonarista afirmou que o Ceará, atualmente, enfrenta o pior cenário que o Estado poderia estar. Ela apontou, entretanto, que nada adianta apontar os erros “sem fazer nada de concreto para mudar”. Silvana frisou a importância da entrada de Ciro e de RC no grupo de oposição e abordou as divergências passadas entre os grupos. “Temos que botar de lado qualquer desentendimento ou qualquer frase de efeito, que pode ser corrigida”, disse.
“Botar na mesa o que nos afasta para nos juntarmos em um projeto com o objetivo de tirar o PT”, completou.
CENÁRIO NACIONAL
Em âmbito nacional, o PDT está na base do governo do presidente Lula (PT). A demissão do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, no entanto, não foi bem recebida por pedetistas. Lupi, presidente nacional da legenda trabalhista, era a única indicação do partido na equipe de primeiro escalão do Governo. A demissão acendeu a possibilidade de uma candidatura do partido. O principal nome é o de Ciro, que já foi candidato quatro vezes.
Leia mais | Ciro critica decisão do PDT ao substituir Lupi na Previdência: “Indignidade inexplicável”
Mesmo que o PDT esteja na coligação de reeleição de Lula em 2026, isso não deve ser empecilho para a aliança de Ciro com os demais oposicionistas. O Ferreira Gomes, aliás, já recebeu convites de outros partidos, onde poderia ter mais espaço para exercer o papel de opositor.
Ainda ao Opinião CE, Pinho destacou que, se os partidos de oposição a Lula apoiarem um nome considerado mais técnico, como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a Presidência, o alinhamento entre a oposição no Ceará seria facilitado. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no entanto, deve ter um importante papel para a escolha do nome. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), também de extrema-direita, é outra pré-candidata.
