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17 de julho de 2024

Fóssil revela que planta chinesa chegou ao Ceará há 120 milhões de anos trazida por pterossauros

A equipe, do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Recursos Naturais (PPGDR), do Laboratório de Paleontologia da Urca, foi responsável por descobrir a espécie que remonta a mais de 120 milhões de anos em parceria com a UFPE e uma universidade chinesa
Foto: Reconstrução/Júlia D’Oliveira

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Cientistas cearenses descobriram uma nova espécie de planta na Chapada do Araripe. A equipe faz parte do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Recursos Naturais (PPGDR), do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca) e do Laboratório de Biodiversidade do Nordeste. A descoberta se trata de uma espécie que remonta a 120 milhões de anos e possui vínculo com a efedra chinesa, uma planta utilizada na medicina tradicional há mais de 5.000 anos. 

A pesquisa, publicada no dia 30 de junho no periódico científico internacional Plant Diversity, resultou de uma colaboração entre pesquisadores da Urca, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Nanjing Forestry University, da China. Através da análise minuciosa de amostras fósseis coletadas na Formação Crato, na Bacia do Araripe, os cientistas identificaram uma nova espécie de planta fóssil da família Ephedraceae, denominada Arlenea delicata.

Para Alita Ribeiro, estudante de mestrado do PPGDR e primeira autora do estudo, “A Arlenea delicata é crucial para a compreensão da diversidade de plantas que existiram nessa região durante o período Cretáceo”.

“Essa descoberta amplia nosso conhecimento sobre a história evolutiva das plantas e reforça a necessidade de preservar e valorizar o patrimônio paleontológico da Bacia do Araripe”, completou.

A ESPÉCIE

A nova espécie de planta revela características incomuns, como os envoltórios da semente sustentados por dois pares de brácteas, além de sementes lisas. Essas características adicionam informações cruciais à árvore filogenética, auxiliando na compreensão da evolução das gimnospermas ao longo do tempo.

Além disso, a morfologia geral da nova espécie fóssil sugere que suas sementes poderiam ter sido dispersadas por animais voadores, como pterossauros e aves, explicando a ampla distribuição geográfica das Ephedraceae no período Cretáceo Inferior. Esta estrutura das sementes permitiria que elas aderissem ao corpo destes animais voadores, permitindo a dispersão destas plantas por várias localidades e ambientes. Isso explicaria a distribuição cosmopolita das Ephedraceas no Cretáceo Inferior, ocorrendo principalmente na China e extremo sul do Brasil.

ORIGEM DO NOME

O gênero Arlenea recebeu esse nome em homenagem à renomada botânica e professora da Urca, Maria Arlene Pessoa da Silva, cujo trabalho incansável na pesquisa e proteção da flora da Chapada do Araripe é amplamente reconhecido.

O epíteto “delicata” foi escolhido para destacar os delicados ramos que sustentam as estruturas reprodutivas terminais dessa planta fóssil. Os exemplares fósseis utilizados nessa pesquisa estão sob a guarda do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

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