Menu

Ceará tem 40% de chance de chuvas dentro da média no 1º trimestre da Quadra Chuvosa

Para o trimestre de fevereiro a abril de 2026, órgão também projeta igual probabilidade de precipitações abaixo do normal; cenário mais favorável deve se concentrar no noroeste do Estado
Foto: Natinho Rodrigues/ Arquivo Opinião CE

O prognóstico climático para o trimestre de fevereiro a abril de 2026 no Ceará, primeiros três meses da Quadra Chuvosa, que segue até maio, foi divulgado na manhã desta quarta-feira (21) pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). De acordo com o órgão, o Estado tem 40% de probabilidade de registrar chuvas dentro da média histórica no período, além de 40% de chance de acumulados abaixo do normal.

Conforme a Fundação Cearense, os valores entre 439,4 mm e 597,6 mm configuram a situação “normal” para o período. A previsão
aponta uma alta variabilidade espacial e temporal na distribuição das chuvas no Estado.

As chances de precipitações acima da média são de 20%. A apresentação ocorreu no Palácio da Abolição, em Fortaleza, com a participação de representantes do Sistema de Recursos Hídricos.

O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, frisou que o cenário ainda é marcado por elevada incerteza. “Existe uma incerteza muito grande”, afirmou. Ainda assim, a avaliação técnica aponta para um comportamento espacial desigual das chuvas, com tendência de volumes mais favoráveis na porção noroeste do Ceará e menores acumulados no sudeste do Estado.

O prognóstico é elaborado a partir da análise de campos atmosféricos e oceânicos de grande escala, como vento, pressão e temperatura da superfície do mar, além de resultados de modelos numéricos globais, regionais e modelos estatísticos de diferentes instituições meteorológicas do país.

Janeiro seco acende alerta

A divulgação do prognóstico ocorre após um mês de janeiro com volumes de chuva extremamente baixos. Conforme a Funceme, esta foi a segunda pior pré-estação chuvosa (que começa em dezembro) da série histórica, o que gera preocupação quanto à umidade do solo e à capacidade de recarga dos açudes.

De acordo com a Funceme, a média histórica para janeiro é de 99,8 milímetros. No entanto, até a manhã desta quarta-feira (21), o acumulado foi de apenas 14,3 milímetros, cerca de 85% abaixo do esperado. O órgão reforça que o prognóstico divulgado se refere à tendência média do volume acumulado ao longo de todo o trimestre, e não a cada mês de forma isolada.

Histórico dos prognósticos

A Funceme divulga dois prognósticos para a quadra chuvosa no Ceará. O primeiro, apresentado em janeiro, abrange o período de fevereiro a abril. O segundo, geralmente lançado em fevereiro, traz projeções para o intervalo de março a maio, último mês da quadra.

Em janeiro de 2025, o órgão indicou 45% de probabilidade de chuvas dentro da média, 20% acima e 35% abaixo do normal. Na atualização seguinte, os percentuais foram ajustados para 45% em torno da média, 25% acima e 30% abaixo. Ao final da quadra, segundo o Calendário de Chuvas, o Estado ficou dentro da normal climatológica.

A média histórica para a quadra chuvosa é de 609,2 milímetros, enquanto o acumulado registrado foi de 516,6 milímetros, cerca de 15% inferior, mas ainda enquadrado na categoria “em torno da média”, conforme os critérios adotados pela Funceme.

Histórico de seca

No último dia 16, o mapa do Monitor de Secas apontou um cenário preocupante no Ceará, mostrando cerca de 42,04% do território cearense apresentando condição de seca grave. A condição atinge diretamente 95 municípios do Estado. Esse é o pior cenário registrado desde dezembro de 2018, quando se observa a proporção de área afetada por seca grave.

O agravamento do quadro está associado, principalmente, à escassez de chuvas ao longo do segundo semestre de 2025, período que normalmente contribui para a recomposição hídrica em diferentes regiões do Ceará, mas que apresentou volumes abaixo do esperado.

Com o avanço da seca grave, os impactos já começam a ser sentidos em diversas áreas. Entre os principais efeitos destacados pelo Monitor estão as perdas prováveis de culturas agrícolas e pastagens, a escassez de água em comunidades rurais e urbanas e a imposição de restrições no uso da água, especialmente em municípios mais vulneráveis.

Segundo a Funceme, o cenário reforça a necessidade de atenção contínua às condições climáticas e ao planejamento de ações de mitigação, sobretudo em um contexto de maior variabilidade do regime de chuvas e de aumento da frequência de eventos extremos no semiárido cearense.

Sobre o Monitor de Secas

O Monitor de Secas é uma ferramenta de acompanhamento contínuo da situação da estiagem no Brasil. Seus resultados são divulgados mensalmente por meio de um mapa que apresenta a intensidade e a abrangência da seca em cada unidade da federação. A iniciativa é coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com apoio de instituições parceiras nos estados.

O monitoramento serve como subsídio fundamental para a tomada de decisões nas áreas de agricultura, recursos hídricos e planejamento de políticas públicas, especialmente em regiões historicamente vulneráveis à variabilidade climática, como o semiárido cearense.