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SUS passa a oferecer cirurgia robótica para tratamento de câncer de próstata; Ceará é pioneiro

O procedimento, considerado minimamente invasivo, promete acelerar recuperação e reduzir sequelas; estado tem alta incidência da doença
Em 2024, o Ceará realizou a 1ª cirurgia robótica por meio do SUS no Norte e Nordeste. Foto: Divulgação/Hospital Haroldo Juaçaba

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar a cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata localizado e localmente avançado. A decisão foi formalizada por meio da Portaria SECTICS/MS nº 72/2025, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec).

Conforme a portaria, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS. Deverá constar também o relatório de recomendação da Conitec sobre essa tecnologia.

O Ceará já vem se adiantando em relação à oferta. Em outubro do ano passado, o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, realizou a primeira cirurgia robótica do SUS das regiões Norte e Nordeste. Na ocasião, foi operado um paciente de 70 diagnosticado com câncer de próstata.

O procedimento, chamado de prostatectomia radical assistida por robô, deve ser ofertado inicialmente em centros de referência habilitados.

No Ceará, a ampliação desse modelo pode ter impacto direto: o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, e o Estado registra milhares de novos casos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença afeta, especialmente, homens acima dos 50 anos e pacientes com histórico familiar.

RECUPERAÇÃO MAIS RÁPIDA E MENOS SEQUELAS

A cirurgia robótica é considerada mais precisa que a convencional e a laparoscópica, com benefícios como:

  • Menor sangramento;
  • Recuperação pós-operatória mais rápida;
  • Preservação da função urinária e sexual;
  • Redução de complicações e tempo de internação.

No procedimento, são utilizados braços robóticos controlados por cirurgiões, que operam com visão em 3D e alta precisão. A Conitec destacou que os resultados funcionais são superiores aos das técnicas tradicionais.

DESAFIOS PARA O CEARÁ

Apesar do avanço, a chegada da tecnologia ao Estado depende da habilitação de hospitais públicos capazes de receber o equipamento e treinar equipes. No Ceará, unidades como o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), além do ICC, que já realizam procedimentos complexos pelo SUS, estão entre os candidatos a oferecer a técnica.

Com o crescimento da população idosa e aumento dos diagnósticos, a cirurgia robótica pode ajudar a reduzir:

  • Filas para prostatectomia;
  • Complicações pós-operatórias;
  • Custos com internação prolongada.

CUSTO E IMPLEMENTAÇÃO GRADUAL

A Conitec reconheceu que o custo da tecnologia é maior, mas apontou que a escala de atendimentos e a redução de sequelas podem equilibrar os gastos ao longo do tempo. Segundo a Comissão, a concentração dos procedimentos em centros de alta complexidade é essencial para garantir eficiência e segurança.

A expectativa é que os primeiros procedimentos com robôs cirúrgicos sejam realizados ainda em 2025, com estados como Ceará, São Paulo e Minas Gerais entre os potenciais polos de referência no SUS.

Para o Conitec, a medida representa um avanço histórico no acesso público ao tratamento do câncer de próstata e pode transformar o prognóstico da doença no Nordeste.

PRIMEIRA CIRURGIA ROBÓTICA DO NORDESTE

Em outubro do ano passado, o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, realizou a primeira cirurgia robótica do SUS das regiões Norte e Nordeste.

Na estreia da plataforma robótica Da Vinci Surgical System, reconhecida como a maior na medicina internacional, um paciente de 70 anos diagnosticado com câncer de próstata foi o primeiro a ser submetido à técnica no ICC.

Equipe técnica que participou da primeira cirurgia robótica. Foto: Divulgação

Na ocasião, em entrevista exclusiva ao Opinião CE, o coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do ICC, Dr. Emanuel Veras, explicou, na ocasião, o processo necessário para poder adquirir a ferramenta cirúrgica e contemplar, de forma pioneira, o Sistema Único de Saúde.

“No Brasil, a cirurgia robótica está presente há mais de 15 anos, porém, a grande maioria das plataformas robóticas estão presentes em hospitais privados. A cirurgia robótica ainda não é contemplada nem pela rede suplementar de saúde, pelos planos de saúde, e também não está no “hall” do SUS, daí a dificuldade de ofertarmos essas cirurgias aos pacientes no âmbito do Sistema Único de Saúde”, explicou, na ocasião.

Segundo ele, o robô foi proporcionado através de um projeto de pesquisa submetido ao Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica. “O projeto foi aprovado em primeiro lugar nacional e, a partir daí, tivemos a capacidade de levantar a parte financeira e poder adquirir o robô”.

Além da inovação tecnológica, o Programa de Cirurgia Robótica do ICC visa capacitar equipes médicas e multidisciplinares, além de promover o avanço da prática cirúrgica minimamente invasiva.