O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar a cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata localizado e localmente avançado. A decisão foi formalizada por meio da Portaria SECTICS/MS nº 72/2025, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec).
Conforme a portaria, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS. Deverá constar também o relatório de recomendação da Conitec sobre essa tecnologia.
O Ceará já vem se adiantando em relação à oferta. Em outubro do ano passado, o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, realizou a primeira cirurgia robótica do SUS das regiões Norte e Nordeste. Na ocasião, foi operado um paciente de 70 diagnosticado com câncer de próstata.
O procedimento, chamado de prostatectomia radical assistida por robô, deve ser ofertado inicialmente em centros de referência habilitados.
No Ceará, a ampliação desse modelo pode ter impacto direto: o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, e o Estado registra milhares de novos casos por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença afeta, especialmente, homens acima dos 50 anos e pacientes com histórico familiar.
RECUPERAÇÃO MAIS RÁPIDA E MENOS SEQUELAS
A cirurgia robótica é considerada mais precisa que a convencional e a laparoscópica, com benefícios como:
- Menor sangramento;
- Recuperação pós-operatória mais rápida;
- Preservação da função urinária e sexual;
- Redução de complicações e tempo de internação.
No procedimento, são utilizados braços robóticos controlados por cirurgiões, que operam com visão em 3D e alta precisão. A Conitec destacou que os resultados funcionais são superiores aos das técnicas tradicionais.
DESAFIOS PARA O CEARÁ
Apesar do avanço, a chegada da tecnologia ao Estado depende da habilitação de hospitais públicos capazes de receber o equipamento e treinar equipes. No Ceará, unidades como o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), além do ICC, que já realizam procedimentos complexos pelo SUS, estão entre os candidatos a oferecer a técnica.
Com o crescimento da população idosa e aumento dos diagnósticos, a cirurgia robótica pode ajudar a reduzir:
- Filas para prostatectomia;
- Complicações pós-operatórias;
- Custos com internação prolongada.
CUSTO E IMPLEMENTAÇÃO GRADUAL
A Conitec reconheceu que o custo da tecnologia é maior, mas apontou que a escala de atendimentos e a redução de sequelas podem equilibrar os gastos ao longo do tempo. Segundo a Comissão, a concentração dos procedimentos em centros de alta complexidade é essencial para garantir eficiência e segurança.
A expectativa é que os primeiros procedimentos com robôs cirúrgicos sejam realizados ainda em 2025, com estados como Ceará, São Paulo e Minas Gerais entre os potenciais polos de referência no SUS.
Para o Conitec, a medida representa um avanço histórico no acesso público ao tratamento do câncer de próstata e pode transformar o prognóstico da doença no Nordeste.
PRIMEIRA CIRURGIA ROBÓTICA DO NORDESTE
Em outubro do ano passado, o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, realizou a primeira cirurgia robótica do SUS das regiões Norte e Nordeste.
Na estreia da plataforma robótica Da Vinci Surgical System, reconhecida como a maior na medicina internacional, um paciente de 70 anos diagnosticado com câncer de próstata foi o primeiro a ser submetido à técnica no ICC.

Na ocasião, em entrevista exclusiva ao Opinião CE, o coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do ICC, Dr. Emanuel Veras, explicou, na ocasião, o processo necessário para poder adquirir a ferramenta cirúrgica e contemplar, de forma pioneira, o Sistema Único de Saúde.
“No Brasil, a cirurgia robótica está presente há mais de 15 anos, porém, a grande maioria das plataformas robóticas estão presentes em hospitais privados. A cirurgia robótica ainda não é contemplada nem pela rede suplementar de saúde, pelos planos de saúde, e também não está no “hall” do SUS, daí a dificuldade de ofertarmos essas cirurgias aos pacientes no âmbito do Sistema Único de Saúde”, explicou, na ocasião.
Segundo ele, o robô foi proporcionado através de um projeto de pesquisa submetido ao Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica. “O projeto foi aprovado em primeiro lugar nacional e, a partir daí, tivemos a capacidade de levantar a parte financeira e poder adquirir o robô”.
Além da inovação tecnológica, o Programa de Cirurgia Robótica do ICC visa capacitar equipes médicas e multidisciplinares, além de promover o avanço da prática cirúrgica minimamente invasiva.
