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18 de julho de 2024

Cid usa quadro e giz para “dar aula” e criticar presidente do Banco Central

Usando um quadro escolar e giz, o parlamentar anotou, durante a sessão, números da inflação, da taxa de juros e do desemprego no País
Foto: Divulgação

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O senador cearense Cid Gomes (PDT) usou um quadro negro para “dar aula” e criticar a política de preços comandada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante audiência pública no Senado nesta terça-feira, 25. Segundo o senador, a instituição financeira não está cumprindo o dever constitucional de fomento a economia e limitação da inflação para geração de empregos. “Economia é um tema absolutamente árido, isso já foi dito aqui, mas, muitas vezes, procura-se esconder atrás dessa aridez algumas coisas que são simples, que são objetivas”, disse o parlamentar.

Usando um quadro escolar e giz, o parlamentar anotou, durante a sessão, números da inflação, da taxa de juros e do desemprego no País. O pedetista usou os dados para comparar aos índices dos EUA. Conforme Cid, o país norte-americano fechou 2022 com inflação de 6,5% e uma taxa de juros, usada, conforme o parlamentar, para controlar os preços, de 4,5%. Já o Brasil, no mesmo período, somou uma inflação de 5,8% e uma taxa de jurus de 13,75%. “Não há razoabilidade nessa diferença”, disse Cid.

O parlamentar também comparou os índices de desemprego dos países. Enquanto os EUA fecharam com desemprego de 3,5%. No Brasil, o desemprego foi de 9,3%.

Durante a audiência, Campos Neto disse que o movimento de alta de juros implementado pela autoridade monetária brasileira foi feito durante o período eleitoral, o que, em sua avaliação, demonstra que critérios técnicos prevalecem em relação a políticos nas decisões do BC. Segundo ele, “nunca na história deste país, nem na história do mundo, foi feito um movimento de alta de juros tão grande no período eleitoral, mostrando que o Banco Central, mesmo no período eleitoral, entendeu que a inflação ia subir”, explicou.

Campos Neto lembrou que essa movimentação foi iniciada, no Brasil, antes de grande parte dos outros países. “O Brasil foi um dos primeiros a subir os juros. Fez uma subida muito grande no ano eleitoral, e a gente pode ver a comparação com outros anos eleitorais. Se o Banco Central não tivesse feito esse movimento, a gente teria tido uma inflação de 10%, em vez de 5,8%”, argumentou.

“Aí, hoje, pra gente controlar a inflação – e a expectativa do ano que vem, que seria muito mais alta do que os 10% – a gente estaria com juros de 18,75% [ao ano]”, acrescentou, ao reiterar a defesa pela autonomia do BC. “É importante entender que o BC atua de forma autônoma e acumulou antes. E quanto mais cedo você atua, menos custo tem para a sociedade”, complementou.

Campos Neto descreveu o cenário financeiro do Brasil com a média dos núcleos de inflação em 7,8% e a taxa Selic em 13,75% ao ano. Na avaliação do presidente do BC, as medidas adotadas pela autoridade monetária têm sido aplicadas de forma suave para evitar grandes choques no prazo imediato. “Um dos parâmetros que está no mandato [no BC] é a suavização. Sim, o BC suaviza. Se eu quisesse combater o choque no período curto, eu teria que ter juros muito altos [posteriormente]. A gente não vai fazer isso. Suavizar significa alongar o horizonte para ter uma inflação controlada num horizonte que seja relevante, com o mínimo custo social possível”, disse.

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