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Cid Gomes defende Júnior Mano e questiona investigação da PF sobre emendas

O senador Cid Gomes (PSB) saiu em defesa do deputado federal Júnior Mano (PSB) diante da investigação da Polícia Federal sobre a destinação de emendas parlamentares. Segundo o ex-governador cearense, não há provas contra seu correligionário, que é pré-candidato ao Senado com o apoio dos Ferreira Gomes, filiados ao partido.

O primeiro ponto levantado por Cid Gomes, na sustentação política em favor do deputado, foi a presunção de inocência. O senador recordou que a Constituição estabelece que ninguém pode ser considerado culpado até a sentença definitiva. “Há alguma condenação em relação ao deputado Júnior Mano?”, questionou.

“Não existe nem indiciamento. Portanto, não há processo de julgamento contra o deputado Júnior Mano. O que há é uma denúncia. Minha intuição diz que ele é uma pessoa do bem, que está na vida pública para servir, para contribuir. Até que se prove o contrário, é um homem honesto, que atua com seriedade e presta relevantes serviços. Que o digam dezenas de prefeitos. Ele é a liderança com maior número de prefeitos aliados no Ceará. Isso não é por acaso”, afirmou Cid Gomes ao reforçar a defesa do parlamentar.

De acordo com o ex-governador, há muitos interesses por trás da apuração. Ele destacou que a acusação tem como base apenas uma testemunha.

“Procurem ver o processo. Verifiquem se há algum documento que associe o nome do deputado Júnior Mano ao esquema de ganhos financeiros com distribuição de emendas. Trata-se unicamente do testemunho de uma pessoa que estava prestes a ser derrotada e teve a filha envolvida no escândalo”, declarou o senador, referindo-se à então prefeita de Canindé, Rosário Ximenes, e à filha dela, ambas derrotadas na eleição municipal do ano passado por não conseguirem eleger o sucessor.

Cid Gomes afirmou que, em maio, Rosário Ximenes prestou novo depoimento à PF e manteve as denúncias contra Júnior Mano. O senador, no entanto, reforçou que não existem provas materiais. Lembrou que cabe a quem acusa apresentar as evidências. “Ninguém pode ser massacrado, execrado ou acusado injustamente. Qual a lógica disso? Acusar de desvio de emendas o deputado que tem mais prefeitos aliados? Tem deputado que não tem um prefeito sequer. Esse aí é que devia ser suspeito, não?”, provocou.

O senador destacou que cada deputado federal dispõe anualmente de R$ 61 milhões em emendas, somando as individuais e de bancada. Durante sua fala, também afirmou que o simples fato de alguém ser investigado não significa culpa e lamentou a cultura de pré-julgamento no Brasil. “Ah, se é investigado, é culpado”, ironizou. Acrescentou que Júnior Mano preferia que o andamento das investigações fosse público, sem sigilo judicial.

Cid Gomes também citou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que autorizou a PF a acessar dados e celulares de Júnior Mano. Mencionou ainda que o magistrado tem relação familiar com um pré-candidato ao Senado pelo Ceará, o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos), de quem é cunhado. Embora não tenha citado o nome de Feitosa, afirmou que, em seu lugar, o ministro deveria ter se declarado impedido de relatar o processo.

Com informações do repórter Felipe Barreto.