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23 de julho de 2024

Chacina do Curió: júri volta a se reunir e sentença deve ser divulgada neste sábado (24)

Os jurados da 1ª Vara do Júri de Fortaleza aguardam a divulgação da sentença que irá determinar a condenação ou absolvição dos quatro policiais militares réus no caso
Foto: Reprodução/MPCE

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A sessão do júri da Chacina do Curió foi suspensa, nesta sexta-feira, 23, após cinco dias consecutivos de julgamento. A previsão é que o resultado seja divulgado neste sábado, 24. Os jurados da 1ª Vara do Júri de Fortaleza aguardam a divulgação da sentença que irá determinar a condenação ou absolvição dos quatro policiais militares réus no caso. A suspensão ocorreu às 20h17, após a leitura dos quesitos que precedem a votação dos jurados.

Chegando ao sexto dia consecutivo, o júri foi retomado por volta das 10 horas deste sábado já com os jurados reunidos para iniciar a votação. Do lado de fora do tribunal, órgãos de direitos humanos e familiares das vítimas do crime se reúnem em ato em homenagem aos jovens mortos.

Nesta sexta, durante duas horas, os juízes apresentaram cada um dos pontos dos quesitos. Após a leitura, as defesas dos réus Ideraldo Amâncio, Wellington Veras Chagas, Marcus Vinícius Sousa da Costa e Antônio José de Abreu Vidal Filho impugnaram parte dos quesitos. Estão sendo julgados quatro dos oito réus que integram o processo 1. Dentre os demais, um deles faleceu durante a tramitação, extinta, portanto, a punibilidade dele. Os outros três aguardam conclusão de recursos em tribunais superiores. Outras duas sessões estão previstas para os dias 29 de agosto e 12 de setembro.

ENTENDA O CASO

Entre a noite do dia 11 e madrugada do dia 12 de novembro de 2015, onze jovens foram mortos pela polícia militar na Grande Messejana, em Fortaleza. Outros sete jovens conseguiram sair com vida.

As onze vítimas fatais são: Antônio Alisson Inácio Cardoso; Jardel Lima dos Santos; Pedro Alcântara Barrozo do Nascimento Filho; Alef Souza Cavalcante; Renayson Girão da Silva; Patrício João Pinho Leite; Francisco Elenildo Pereira Chagas; Jandson Alexandre de Sousa; Marcelo da Silva Mendes; Valmir Ferreira da Conceição; e José Gilvan Pinto Barbosa

Considerada a terceira maior chacina do Estado, a Chacina do Curió estimulou a criação de uma rede de amparo em volta do caso. A investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE) apontam que a chacina teve ligação com uma possível vingança à morte do policial militar Valtemberg Chaves Serpa.

Por volta de 19h50min do dia 11 de novembro, o policial foi morto ao intervir em tentativa de assalto contra a esposa, no bairro Lagoa Redonda. Mais tarde da noite, começam a ocorrer mortes nos bairros da Grande Messejana, de forma aleatória. Não foi provada qualquer relação das vítimas do Curió com a morte do policial.

“Na medida em que passava o tempo, e como já tarde da noite havia cada vez menos pessoas nas ruas, os executores foram escolhendo aleatoriamente as vítimas, o que se traduziu em um típico ‘justiçamento’, culminando com a morte e ofensa à integridade física e mental de várias pessoas absolutamente inocentes e que sequer tinham qualquer envolvimento na morte do Policial Militar”, revela o documento apresentado pelo MPCE no processo.

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