Quando o assunto é câncer de pulmão, o tabagismo costuma ser o primeiro fator de risco lembrado. O cigarro, de fato, está relacionado a 80% a 85% dos casos. O dado, porém, não significa que pessoas que nunca fumaram estejam livres da doença.
Durante o Agosto Branco, campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão, especialistas reforçam a importância de ampliar o debate sobre prevenção, fatores de risco e identificação dos primeiros sinais. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 35 mil novos casos da doença devem ser registrados no Brasil até o fim de 2026. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão é o quarto tipo mais incidente no país.
Para Renato Torrano, cirurgião torácico da Rede ICC Saúde, associar exclusivamente a doença ao consumo de cigarros pode contribuir para o atraso na procura por atendimento.
“Embora o consumo direto de cigarro ainda seja a principal causa, pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão. Quando existe a falsa percepção de que apenas fumantes adoecem, muitos pacientes acabam demorando para investigar sintomas persistentes, o que pode comprometer as possibilidades de tratamento”, explica.
Cigarro eletrônico também preocupa especialistas
Além do cigarro convencional, o crescimento do consumo de cigarros eletrônicos ou vapes, principalmente entre os jovens, também é motivo de alerta.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 40 milhões de jovens entre 13 e 15 anos utilizam produtos de tabaco. O uso de cigarros eletrônicos e sachês de nicotina também tem aumentado entre os mais novos.
Apesar de serem apresentados em alguns contextos como alternativas menos nocivas ao cigarro convencional, os dispositivos expõem o organismo a substâncias potencialmente prejudiciais e estão associados a riscos para a saúde respiratória e cardiovascular.
“Esses dispositivos contêm substâncias tóxicas que causam dependência rápida e severos danos à saúde física e mental. Enquanto o cigarro tradicional, por meio da combustão do tabaco, libera mais de 7 mil substâncias químicas, sendo pelo menos 70 delas com potencial de serem cancerígenas; os vapes não utilizam combustão, mas vaporizam líquidos que contêm nicotina, aromatizantes e solventes químicos”, explica Torrano.
Segundo o especialista, os cigarros eletrônicos também podem liberar partículas ultrafinas, metais pesados e solventes relacionados a processos inflamatórios pulmonares, alterações cardiovasculares e alterações celulares com potencial cancerígeno.
Câncer de pulmão tem outros fatores de risco
Embora o tabagismo seja responsável pela maior parte dos casos, o câncer de pulmão tem origem multifatorial. Entre os fatores associados à doença estão a exposição passiva à fumaça do cigarro, o contato prolongado com agentes químicos e poluentes ambientais, histórico familiar e outras condições que podem favorecer alterações nas células pulmonares.
Entre os sintomas que merecem atenção estão:
- tosse persistente;
- falta de ar;
- dor no peito;
- rouquidão;
- perda de peso sem causa aparente;
- cansaço excessivo;
- presença de sangue na tosse.
“Esses são alguns dos sinais que merecem investigação médica, especialmente quando persistem por várias semanas”, afirma o cirurgião torácico.
Prevenção começa pela redução dos fatores de risco
A principal medida de prevenção é evitar produtos derivados do tabaco, incluindo cigarros convencionais e eletrônicos, charutos, cachimbos, narguilés e vapes. Também é importante reduzir a exposição à fumaça de terceiros e a agentes nocivos presentes em determinados ambientes de trabalho, utilizando equipamentos de proteção quando indicados.
A adoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividades físicas e a busca por avaliação médica diante de sintomas persistentes também fazem parte dos cuidados.
Diagnóstico precoce pode ampliar possibilidades de tratamento
A identificação do câncer de pulmão em estágios iniciais pode contribuir para melhores perspectivas de tratamento. A investigação pode envolver exames de imagem e outros procedimentos, de acordo com a avaliação clínica de cada paciente. O tratamento é definido individualmente, considerando fatores como o tipo e a localização do tumor, o estágio da doença e as características do paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia, além de combinações entre diferentes abordagens.
A Rede ICC Saúde, por meio do Hospital Haroldo Juaçaba, atua há mais de 80 anos na prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer. Durante o Agosto Branco, a instituição reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado.
