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“Feminicídio é a negativa do Estado Democrático de Direito”, diz Cármen Lúcia na UFC

A ministra está em Fortaleza para uma série de agendas. Além da palestra da UFC, a ministra participou uma conferência magna na Uece e recebeu o título de Cidadã Cearense.
Ministra Cármen Lúcia. Foto: Junior Pio/Alece

Convidada para abrir o UniversiDELAS –Simpósio de Gênero e Interseccionalidades, evento da Universidade Federal do Ceará (UFC), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), abordou a violência contra a mulher e a desigualdade de gênero durante sua palestra, nesta segunda-feira (16), para um auditório lotado da Faculdade de Direito.

“Matam-nos de muitas formas. Nós resolvemos viver de todas as formas, de qualquer forma. Não precisamos de uma forma única para viver. Mas nós precisamos e queremos viver. Portanto, é preciso que a gente ecoe: parem de nos matar, porque nós não vamos morrer”, disse a magistrada, ao tratar, em especial, dos casos de feminicídio.

Para a ministra, a onda de violência contra as mulheres também é um atentado à democracia. “Esse assassinato permanente, constante, cruel de mulheres, é a negativa de um Estado Democrático, de uma sociedade democrática”, enfatizou.

Apesar do Estado não ser responsável direto pelo aumento de casos de feminicídio, por exemplo, ela enxerga que pode fazer muito para prevenir e prover mecanismos para que, imediatamente, diante de qualquer ameaça, se adote providências de protegê-las.

Cármen Lúcia também fez questão de associar as barreiras das desigualdades de gênero com o pleno exercício da democracia. “Como a democracia é uma forma de vida, um modelo de conviver, se nós não temos igualdade de comunidade e de respeito à nossa dignidade, nós não temos uma democracia”, disse a ministra.

A jurista foi além da violência de gênero, mas dedicou sua palestra no olhar ao acolhimento e oportunidades às mulheres.

“Que as mulheres possam cuidar de si mesmas, além de seus afetos. E para que divida esses cuidados com os homens, que também têm o dever de cuidado, o dever de humanidade, de afeição. Que a gente possa ter uma vida social, uma vida profissional coerente com as nossas necessidades e desejos”, finalizou, arrancando aplausos.

Agendas em Fortaleza

Cármen Lúcia está em Fortaleza para uma série de agendas. Além da palestra da UFC, a ministra participou uma conferência magna na Universidade Estadual do Ceará (Uece), com o tema “Democracia em tempos de desinformação: desafios e perspectivas”, no início da tarde.

Mais cedo, ela visitou a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e recebeu, pelas mãos do seu presidente, deputado Romeu Aldigueri (PSB), e do governador Elmano de Freitas (PT), o título de Cidadã Cearense. A honraria foi aprovada na última quinta-feira (12), projeto de autoria do próprio líder da Casa.