Jovem Inaiê, do bairro Bom Jardim de Fortaleza, chega à Cop30 através do Instituto Terre Des Hommes (TDH Brasil). O estudante do ensino médio respondeu em entrevista ao Opinião CE sobre a importância da sua presença no evento como uma representação da coletividade.
“Eu trago a ideia de coletividade, de partilhar informações. Eu me vejo muito nessa imagem de quem vem aqui enquanto juventude, recolher todas essas informações e voltar compartilhando”, relatou Inaiê.
O estudante de 17 anos acredita que a experiência de vivenciar a COP30 representa um contato com soluções para problemáticas socioambientais e sociopolíticas.
Inaiê relata que se vê como uma representação da juventude do Bom Jardim e com a missão de retornar com novas informações. Para ele, a representatividade jovem é importante no evento, pois comprova que aquele é o espaço onde a juventude deve estar.
“Eu me sinto muito como esse protagonista jovem, porque é muito mais fácil você comunicar à juventude diretamente da juventude”, destacou o jovem.
Durante a entrevista, Inaiê exaltou os cearenses e a comunidade do seu bairro.
“Os moradores do Bom Jardim são arretados, nós, cearenses, somos arretados”, afirmou o estudante.
Em entrevista concedida ao Opinião CE durante o evento, o presidente do TDH Brasil, Renato Pedrosa, detalhou o Projeto Reaver (Rede Ambiental de Valorização de Ecossistema em Restauração), responsável por conectar jovens de diferentes regiões do Nordeste ao encontro climático realizado em Belém do Pará.

Segundo Renato, o projeto mobiliza 250 jovens do Ceará, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte, estimulando a formação de uma rede que busca “reaver o Nordeste” a partir de debates ambientais e sociais. Entre os participantes, dois jovens foram levados à Zona Azul da COP30, espaço oficial do evento, onde têm acesso a apresentações, painéis e discussões de alto nível.
Renato destacou que esses jovens trazem para o centro das discussões temas como racismo ambiental, realidade das periferias e desafios estruturais enfrentados em suas comunidades. Além da participação na zona oficial, outros 18 adolescentes dos mesmos estados nordestinos integram atividades na Cúpula dos Povos, espaço dedicado à sociedade civil.
Para ele, unir juventude e periferia na COP30 é fundamental. Renato reforçou que as populações periféricas estão entre as que menos poluem, mas figuram entre as mais impactadas pelas mudanças climáticas. Por isso, a presença desses jovens no debate internacional é estratégica e urgente.

