A Universidade Estadual do Ceará (Uece) inaugurou nesta terça-feira (24) a expansão do Laboratório de Análise de Alimentos e Micronutrientes (LAAM), no Campus do Itaperi, em Fortaleza. O espaço, agora, conta com a presença de um equipamento único do tipo no estado, o Espectrômetro de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-MS), útil para analisar elementos essenciais e tóxicos em matrizes como alimentos, sangue, tecidos, humanos, urina e solo.
O equipamento, do modelo Nexion 1000 da Perkin Elmer e avaliado em mais de R$ 1 milhão, foi adquirido por meio de edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O novo espaço, localizado no prédio dos Laboratórios Associados de Inovação e Sustentabilidade (LAIS), foi reformado com recursos da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece).
Pesquisas já estão sendo desenvolvidas com o uso do ICP-MS. Um dos estudos trata sobre má nutrição e deficiência de micronutrientes na população adolescente. “Às vezes, por exemplo, você tem uma criança obesa, mas ela tem deficiência de zinco para o crescimento ou tem deficiência de ferro. Então, nós vamos detectar o zinco e o ferro nessa população de adolescentes obesos, por meio da análise de fluidos corporais, como sangue e urina”, explica a professora Carla Soraya.
Outro estudo que se inicia visa analisar a presença de elementos tóxicos no caranguejo e outros alimentos do Ceará, enquanto outras visam identificar elementos em fluidos para associá-los a riscos cardiovasculares, fome oculta e à saúde mental de crianças e adultos. Além dessas, outras pesquisas já são discutidas, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
O Espectrômetro da Uece, como explicou a instituição, possui sensibilidade extrema, sendo ele multielementar, com capacidade de identificar até cerca de 90 diferentes elementos simultaneamente, em dois minutos, a partir de uma única amostra. A detecção é feita em partes por bilhão, como explica o professor Luan:
“Imagina que você perdeu sua lente de contato em uma praia de oito quilômetros de areia. Encontrar parte por bilhão é encontrar essa lente de contato na praia. Então, a gente trabalha em concentrações muito pequenas, em menos de dois minutos. Na análise, você leva ali um pouquinho de sangue, em dois minutos você sai com todos os elementos que você tem naquele fluido”.
Com a nova expansão, o intuito é criar, na Uece, um centro de análise de elementos-traço, como explica a coordenadora do Laboratório, Carla Soraya Maia. “Elementos-traço são metais ou minerais que estão presentes em pequenas quantidades no nosso corpo e no meio ambiente”. Esses elementos podem ser classificados como “essenciais”, a exemplo de zinco, selênio e magnésio, presentes no sangue; ou “tóxicos”, como o chumbo e arsênio. Segundo a coordenadora, em breve, a Uece receberá outro equipamento, de especiação. “Além de determinar o conteúdo desses elementos-traço, vamos conseguir ver as espécies químicas associadas a eles”.
INAUGURAÇÃO
O evento de inauguração foi presidido pelo reitor da Universidade, Hildebrando Soares. Na ocasião, ele ressaltou a evolução da instituição. “A Uece atingiu um patamar de maturidade que se expressa também na criação de um centro de pesquisa que se desenvolve dentro da Universidade, com aquisição de equipamentos, como este que hoje inauguramos, e que permitem que a universidade se torne referência na pesquisa também nesse segmento”.
“Esse é um momento feliz, pois está dentro de um movimento que a Uece vem fazendo de se tornar um grande centro de formação qualificada, ao mesmo tempo, um centro de produção científica, tecnológica e inovadora, capaz de enfrentar grandes dilemas do povo do Ceará, do povo brasileiro”, afirmou.
O vice-reitor da Uece, professor Dárcio Ítalo Teixeira, lembrou que, como pesquisador, em seu doutorado, precisou se deslocar para Brasília para conseguir utilizar um equipamento como o que hoje a Uece possui. Agora, como gestor, ele comemora. “Que bom que estamos hoje inaugurando essa expansão, com esse valioso equipamento. Ser um pesquisador não é fácil, mas quando conquistamos um equipamento dessa natureza, temos um marco que valida todo o nosso esforço”.
