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17 de julho de 2024

Ceará reduz em 55,2% casos de arboviroses nos primeiros 4 meses de 2023

Pessoas com sintomas ou suspeita de alguma arbovirose, devem procurar, inicialmente, os postos de saúde e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)
Foto: Reprodução / Governo do Ceará

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O Ceará apresentou uma redução de 55,2% nos casos de arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, nos quatro primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2022. O período analisado pelo boletim foi de 1º de janeiro a 14 de abril de 2023, onde foram notificados 14.136 casos suspeitos de arboviroses, com a confirmação de 3.110 deles, representando um total de 22%. Os dados constam no boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira, 22, pelo Governo do Estado.

Entre as arboviroses, a dengue representou 85,3% dos casos (dos 3.110, 2.653 foram confirmados com a doença), enquanto a chikungunya registrou 457 casos, representando 14% do total notificado. Conforme o Governo do Estado, nenhum caso de zika foi confirmado no período. No mesmo intervalo de tempo, foi registrado um óbito em decorrência de dengue, e outros sete seguem em investigação.

Em entrevista ao OPINIÃO CE, o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), o epidemiologista Antônio Silva Lima Neto, classificou a redução como “importantíssima”. “Mais de 80% dos casos esse ano são de dengue. [Em relação à chikungunya], estamos com uma redução muito expressiva. Evidentemente, ficamos felizes, mas não é porque a gente de fato conseguiu uma transmissão menor esse ano que o perigo está completamente afastado”.

Entres os fatores que podem ter ajudado na redução dos casos neste ano, Antônio Lima ressalta que dengue tipo 1 e 2 têm maior prevalência e já circularam muito pelo Nordeste. Devido a isso, segundo o epidemiologista, a população cearense tem maior imunidade. Por outro lado, segundo ele, os dados apontam também a expansão do mosquito da dengue para outras áreas do Brasil, como no Centro-Oeste e Sul, com quadros graves e mortes decorrentes da dengue. 

VACINA

Uma das novidades no cenário, conforme Antônio Lima, é a vacina contra a dengue, já aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O imunizante foi produzido pelo Laboratório Takeda e está em avaliação pelo Ministério da Saúde. De acordo com epidemiologista, a vacina apresenta eficácia na queda de hospitalizações de mais de 80% nos dois tipos de dengue que mais circulam pelo Brasil. “Espero que em um tempo próximo, a vacina seja mais um componente para a gente travar esse combate, que já é longo”. Ainda não há prazo para liberação desta vacina pela Anvisa.

A coordenadora de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador (Covat), Roberta de Paula, reforça a importância da prevenção também no período pós-chuvas. “Nos próximos meses, a tendência é de que as chuvas percam a intensidade, favorecendo a reprodução dos vetores. É hora de eliminar os reservatórios desprotegidos com água acumulada, um dos pontos de reprodução dos mosquitos”, disse. A quadra chuvosa no Ceará ocorre entre os meses de fevereiro e maio. Roberta frisa ainda cuidados básico, como limpar o quintal e vedar caixas d’água na prevenção contra o mosquito da Dengue, o Aedes aegypti.

“Até mesmo recipientes pequenos como tampas de garrafas, folhas e sacolas plásticas podem acumular água suficiente, tornando-se criadouros do mosquito. Por isso, a atenção deve ser redobrada, especialmente a partir de maio, quando as chuvas começam a diminuir”.

Em relação à chikungunya, o boletim epidemiológico registrou 457 casos confirmados e 1.358 descartados, sendo o menor número de confirmados, se comparado a 2022, quando foram registrados 5.260 casos da doença. Neste ano, conforme o Governo do Ceará, foram contabilizados 12 óbitos suspeitos de chikungunya no Estado, com 11 descartados e um ainda em investigação, em Fortaleza. Dos 53 casos suspeitos de zika, 69,3%, ou seja, 37, foram descartados, e os outros 16 seguem em avaliação.

SINTOMAS

A infectologista Lorena Mendes, do Hospital São José, no bairro Parquelândia, em Fortaleza, destaca que os sintomas das arboviroses são bem inespecíficos. “É comum febre, dor de cabeça na região dos olhos, dor no corpo e nas articulações, com algum inchaço e manchas avermelhadas na pele, podendo apresentar coceira nos locais. Claro que a dengue pode ter sintomas mais graves, como sangramentos, diminuição da diurese, alteração de comportamento e sensório, dor abdominal e vômitos. Diante dessas manifestações, deve haver uma maior preocupação com o quadro”.

Ainda conforme a médica, a zika traz muita dor e edema nas articulações, bem como manchas vermelhas por todo o corpo, associadas à febre. A chikungunya, por sua vez, é uma doença que apresenta muita dor articular, com duração prolongada (meses) e possibilidade de evolução para um quadro de artrite, além de problemas neurológicos. “A dengue tem os sintomas mais conhecidos e é a doença que mais evolui para casos graves, necessitando, em algumas situações, de leito de terapia intensiva”.

Foto: Governo do Ceará/Letícia Maria

Em relação aos locais onde buscar atendimento, a infectologista ressalta que os pacientes devem procurar, inicialmente, os postos de saúde e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Toda pessoa com suspeita de arbovirose deve procurar atendimento na assistência primária. Após a avaliação médica, a continuidade do acompanhamento será definida”.

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