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Ceará dispara nas exportações e alcança US$ 2,28 bilhões em 2025

O Ceará encerrou 2025 com um dos desempenhos mais expressivos de sua história no comércio exterior. Dados do estudo Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), apontam exportações de US$ 2,28 bilhões, crescimento de 55,6% na comparação anual. O resultado reposiciona os negócios cearenses no cenário internacional e contribui para o melhor equilíbrio das contas externas desde 2021, com redução relevante do deficit comercial.

Esse avanço acompanha a retomada da fluidez operacional observada ao longo do ano, sobretudo a partir do segundo trimestre. A regularização dos embarques industriais e o ganho de previsibilidade logística permitiram ao Estado voltar a operar em um patamar compatível com sua estrutura produtiva, industrial e portuária, historicamente ligada a volumes superiores a US$ 2 bilhões anuais, sinalizando um novo ciclo de crescimento.

O desempenho também reflete maior estabilidade nas operações portuárias e industriais. Esse ambiente favoreceu o planejamento das empresas exportadoras e reforçou a capacidade do Ceará de manter presença constante nos mercados externos, após um período marcado por oscilações logísticas.

FORÇA INDUSTRIAL

O setor de ferro fundido, ferro e aço assumiu o papel de principal motor da expansão. As vendas externas alcançaram US$ 1,18 bilhão, com crescimento de 111,6%, consolidando a siderurgia como âncora da pauta exportadora do Estado.

A produção cearense abasteceu mercados estratégicos, como Estados Unidos, Turquia, Polônia e Suíça. Esse movimento reforçou a inserção do Ceará nas cadeias globais de suprimentos industriais e ampliou a relevância do estado no comércio de produtos siderúrgicos.

A liderança do setor também contribuiu para elevar o valor médio das exportações. Com maior concentração em produtos industriais, a pauta passou a refletir maior densidade tecnológica e agregação de valor.

DIVERSIFICAÇÃO PRODUTIVA

Ao lado da indústria, a agroindústria e o setor mineral atuaram como vetores complementares de crescimento. A agroindústria cearense somou mais de US$ 300 milhões em exportações em 2025, com destaque para as frutas, que alcançaram US$ 182,9 milhões e cresceram 46,3%.

Produtos como melão fresco e castanha de caju impulsionaram os resultados, enquanto o grupo de gorduras, óleos e ceras de origem vegetal movimentou US$ 107,4 milhões, alta de 35,5%, com presença marcante em mercados europeus e asiáticos.

O setor mineral registrou aproximadamente US$ 156,4 milhões em vendas externas, crescimento superior a 90% no ano. O avanço foi sustentado pelas rochas ornamentais e pela liderança nacional do Ceará nas exportações de quartzito.

BASE TERRITORIAL

O grupo de sal, pedras, gesso e materiais similares mais que dobrou os embarques, atingindo US$ 102,7 milhões. O resultado reforçou o movimento de agregação de valor à pauta mineral e ampliou a competitividade do Estado nesse segmento.

A base exportadora manteve forte protagonismo regional. São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), impulsionado pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), respondeu por 52,8% das exportações cearenses em 2025, com US$ 1,21 bilhão.

Outros municípios também se destacaram pelo dinamismo recente. Caucaia cresceu 226,9%, com avanço em máquinas elétricas e obras de pedra; Paraipaba registrou alta de 182,6%, consolidando nichos de alimentos processados; e Aquiraz avançou 81,8%, ampliando o envio de frutas para diferentes mercados.

MAIOR ALCANCE

Ao todo, 64 municípios realizaram exportações em 2025, ampliando a base territorial do comércio exterior cearense. Esse espalhamento indica maior capilaridade produtiva e integração regional à dinâmica internacional.

O Ceará exportou para 150 países no ano, nove a mais que em 2024. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, com US$ 1,05 bilhão, equivalente a 46% do total exportado.

Novos mercados ganharam relevância ao longo do período. As vendas para a Polônia cresceram 2.102,3%, enquanto a Turquia registrou alta de 1.882,3%, ambas impulsionadas por contratos no setor siderúrgico.

CICLO GLOBAL

México, Itália, Países Baixos e China completaram o eixo de parceiros estratégicos. A diversificação de destinos consolidou a presença do Ceará nos principais corredores do comércio internacional.

Também houve ampliação da diversidade da pauta exportadora. O número de produtos vendidos ao exterior passou de 1.695 para 1.747 itens, indicando maior sofisticação e alcance da produção local.

Os dados apontam que 2025 representou mais do que uma recuperação pontual. O ano marcou a retomada de um ciclo de inserção internacional sustentado pela indústria, pela agroindústria e pelo setor mineral, com comércio exterior mais robusto e integrado às grandes cadeias globais.