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16 de julho de 2024

Castanhão inicia abril com o melhor volume desde setembro de 2015

Os dados constam no Portal Hidrológico da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), consultado nesta sexta-feira, 1º.
Foto: Açude Castanhão/Reprodução/Cogerh

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Maior reservatório do Ceará, o Castanhão, que abastece a Região Metropolitana de Fortaleza, iniciou o mês de abril com 16,25% de sua capacidade. Apesar de ainda longe do ideal – ao menos 50% -, este é o melhor volume desde o dia 9 de setembro de 2015, há 78 meses, quando marcava 16,28% de sua capacidade total – de cerca de 6,7 bilhões de m³. Naquele ano, o Castanhão iniciou o mês de abril com recarga em 22,67%. Os dados constam no Portal Hidrológico da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), consultado nesta sexta-feira, 1º. O portal agrega informações dos 155 açudes estratégicos monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh)

Os números refletem os bons volumes de março deste ano, segundo mês da quadra chuvosa no Ceará, que se estende até maio. Conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o Estado apresentou o acumulado de 267.2 mm, segundo maior volume para o período dos últimos 10 anos. Somente em 2020 choveu mais neste intervalo contando todas as macrorregiões do Ceará – 274,5 mm. No ano citado, inclusive, o volume do Castanhã também bateu os 16%, em junho.

Transposição

Recentemente, o açude, considerado estratégico para o abastecimento hídrico e produção agrícola do Ceará, também passou a receber água da Transposição do Rio São Francisco. Para entender se o aporte dos últimos dias tem relação com a obra, o OPINIÃO CE conversou com o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira. “O Castanhão vai ficar com uma situação melhor que em 2020. Chegará fácil aos 20% e, quem sabe, passará dos 30%. Entretanto, a maior parte da água aportada é proveniente mesmo das chuvas. O Castanhão já recebeu um volume expressivo, mais de 500 milhões de metros cúbicos, e menos de 10% dessa água veio do projeto de integração do São Francisco”, explicou o titular.

Teixeira destaca, ainda, que a relação “isso é natural” se considermos que Projeto de Integração de integração tem uma vazão importante no período de estiagem, quando o reservatório não recebe recarga das chuvas. “Ter uma vazão de 10 metros cúbicos por segundo pode ser pouco se comparado com as grandes vazões resultantes das chuvas intensas, mas é expressiva se analisarmos que é suficiente para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza por um período de um ano”, explica.

Outros reservatórios 

Segundo maior do Estado, o açude Orós chegou aos 33,61% de sua capacidade. Este é o melhor volume desde o dia 2 de junho de 2015, quando marcou 33,62%. Para ter uma ideia, em 1º de abril de 2021, há exatos 12 meses, o reservatório estava com 22,86% de sua capacidade. Já o Banabuiú, terceiro maior do Ceará, mostra a situação mais preocupante, com 8,22%. No mesmo período do último ano, o percentual era de 8,69%. Os valores abaixo representam uma dificuldade no aporte observada nos últimos anos, quando o Banabuiú vem perdendo água.

Se não analisarmos apenas os três maiores, a situação hídrica do Estado é melhor do que em anos anteriores, mas ainda longe do ideal. Conforme o Portal Hidrológico, o abastecimento nos 155 açudes monitorados é de 29,2% – estando 20 reservatórios sangrando e outros 5 acima dos 90%. Em 1º de abril de 2021, o percentual era de 27,8%, com 9 açudes sangrando. Em igual período de 2020, o Ceará estava com uma recarga de 29% e 31 reservatórios acima do limite. 

“Para considerarmos uma situação confortável, precisaríamos estar acima dos 50%. Isso vale também para os nossos maiores reservatórios”, o secretário Francisco Teixeira. “Precisamos de chuvas abundantes em abril e maio, esperamos que isso ocorra, para que esses reservatórios possam se aproximar de uma zona de mais conforto”.

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