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18 de julho de 2024

Cariri abençoado

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O Ceará terá sua primeira beata. O título será concedido a Benigna Cardoso dos Santos. A menina Benigna – como é carinhosamente chamada por uma legião de devotos – será beatificada do dia 24 de outubro em celebração solene presidida por sua Eminência, o Cardeal Marcello Semararo, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. A cerimônia será na Praça da Catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato.

A informação foi confirmada pela Santa Sé, em Roma, e divulgada nesta segunda-feira, 2, durante coletiva de imprensa, pelo Bispo Diocesano do Crato, Dom Magnus Henrique.

A beatificação de Benigna, considerada “heroína da castidade”, reforça a posição do Cariri cearense no cenário religioso internacional. A história da “mártir da pureza” é contada no município de Santana do Cariri, onde ela foi brutalmente assassinada a golpes de facão, aos 13 anos de idade, ao tentar se defender do assédio de um jovem um pouco mais velho que ela.

A partir de então, a comovente história despertou a sensibilidade e a fé dos caririenses, que começaram a fazer peregrinações ao local onde a menina morreu. As visitas aumentaram, assim como os relatos de milagres atribuídos a Benigna. Hoje, a menina atrai romarias de multidões e uma corrente imensa de devoção que levou sua história à Roma.

O título de beata é um reconhecimento relevante do Vaticano e tem significado profundo para os católicos e para a região do Cariri, reduto religioso fervoroso, devido ao Padre Cícero, que também tem processo em andamento na Santa Sé – ainda de reabilitação – e, embora mais complexo, também aguarda avanço.

O Cariri e seus líderes religiosos movimenta romarias de multidões para além do cenário religioso. Os “santos do povo” são responsáveis por parte do desenvolvimento daquela região, geram turismo, impulsionam negócios. Sabemos que o mais importante e belo nesse contexto é a fé e a relevância desse sentimento genuíno para os sertanejos. Mas é inegável que os mártires e suas histórias ajudam também a fortalecer culturas e tradições. A força do “sentir” tem poder espiritual e de construção de lugares e de sua gente.

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