A presença do Nim Indiano (Azadirachta indica) no espaço urbano de Fortaleza foi tema de uma audiência pública realizada na última segunda-feira (11), na sala do Complexo das Comissões da Câmara Municipal. O encontro foi convocado pelo vereador Benigno Júnior (Republicanos), por meio do requerimento nº 439/2025, com o objetivo de discutir os efeitos ambientais da espécie e buscar soluções viáveis para sua substituição.
Durante a audiência, o parlamentar destacou a necessidade de repensar o uso dessa árvore exótica, que, embora bastante comum na cidade, tem gerado preocupações ambientais e urbanísticas.
“Buscamos ouvir especialistas para encontrar formas de substituir essas árvores por outras que sejam frutíferas ou nativas da nossa flora. A função do vereador é articular, debater e ouvir as demandas da cidade. É comum ouvirmos relatos de que essa espécie destrói instalações sanitárias e compromete as calçadas”, afirmou.
O técnico Christopher Renner, da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA), explicou que o Nim Indiano foi inicialmente introduzido na capital como forma de controle de pragas e pela capacidade de gerar sombra, mas rapidamente se espalhou de forma descontrolada e considerada nociva ao meio ambiente. Segundo ele, a árvore é considerada invasora, com alto potencial de reprodução, e provoca desequilíbrios ecológicos significativos.
“A espécie se espalhou por diversos municípios, principalmente em Fortaleza, e causa a redução da biodiversidade, afetando aves e insetos, tornando-os inférteis. Além disso, modifica o regime hídrico local, buscando água de forma agressiva e danificando infraestruturas. Por ser uma espécie invasora de rápida reprodução, o Nim Indiano compete com espécies nativas, ameaçando a diversidade biológica. A solução proposta envolve a substituição gradual do Nim por espécies nativas, preservando a sombra e restaurando o equilíbrio ecológico”, explicou.
A audiência reforçou a importância da participação da sociedade e dos órgãos técnicos na construção de políticas públicas ambientais sustentáveis, considerando Fortaleza uma cidade que busca equilibrar urbanização, paisagismo e preservação ecológica.
