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24 de julho de 2024

Caatinga tem aumento de mais de 21% de espécies ameaçadas de extinção, diz IBGE

Conforme dados do ICMBio, de 2014 a 2022, a Caatinga registrou um aumento de mais de 15% de espécies ameaçadas, saltando de 395 para 481
Foto: Reprodução / Senado Federal

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A Caatinga, único bioma 100% brasileiro, conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui atualmente 481 espécies ameaçadas de extinção, que representa um aumento de mais de 21,7% em relação a 2014. O novo dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira, 24, referente ao ano de 2022.

A revisão tem como base as informações contidas na nova lista de espécies ameaçadas, publicada em dezembro de 2022 pelo então Ministério do Meio Ambiente. As listas são elaboradas pelo ICMBio e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ).

A Caatinga, conforme o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ocupa uma área de cerca de 862.818 km² e abriga uma população de cerca de 27 milhões de pessoas, onde, conforme a pasta, de uma maioria carente e dependente dos recursos do bioma para sobreviver.

Entre todos os biomas brasileiros, a Mata Atlântica se manteve com o maior número de espécies avaliadas (11.811), a maior quantidade de espécies ameaçadas (2.845) e o maior número de espécies extintas, que subiu de 7 para 8, com a inclusão da Perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum); O Cerrado (1.199) vem em seguida no ranking de espécies ameaçadas, seguido pela Caatinga (481).

ESPÉCIES AMEAÇADAS

Entre as espécies ameaçadas – classificadas como “criticamente em perigo”, “em perigo” e “vulnerável” -, houve leves reduções na proporção tanto da flora (de 47,4% para 42,7%) quanto da fauna (de 9,8% para 9%), explicada em parte pelo aumento do número de espécies avaliadas em 2022. O coordenador da pesquisa, Leonardo Bergamini, ressalta que, embora a proporção de espécies avaliadas ainda seja pequena em relação ao total de espécies reconhecidas, o esforço constante das instituições envolvidas tem resultado em avanços importantes para o conhecimento da biodiversidade brasileira, que podem nortear políticas de proteção adequadas ao meio ambiente.

“Mas também ainda há muito o que avançar. Conforme o conhecimento vai se expandindo, é de se esperar que entrem na amostra mais espécies não-ameaçadas do que ameaçadas, já que as com potencialmente maior risco à extinção são avaliadas prioritariamente”, explica o pesquisador. “Por isso, não podemos afirmar que o nível de ameaça diminuiu”, afirma.

A passagem de 2014 para 2022 não alterou a situação do Cerrado, que ocupou o segundo lugar em número de espécies ameaçadas nos dois períodos pesquisados, passando de 1.037 para 1.199. Em seguida, a Caatinga, que passou de 395 para 481. A Amazônia passou de 311 em 2014 para 503 em 2022. Também o Sistema Costeiro-Marinho apresentou um acréscimo, de 166 para 170. O Pampa mostrou redução, passando de 234 para 229. O Pantanal apesar do acréscimo de nove espécies ameaçadas (de 65 para 74) continua sendo o bioma com menor número absoluto nesta categoria, considerando o conjunto de espécies avaliadas.

DESMATAMENTO

Levantamento derivado do Sistema de Alertas de Desmatamento do Mapeamento Anual da Cobertura e Uso da Terra do Brasil (MAPBIOMAS), divulgado em 2021, apontou que 115.894 hectares dos biomas brasileiros foram desmatados contra 68.304 hectares registrados em 2020, um aumento de 70% em apenas um ano. Desse total, 80,7% foram desmatados em apenas quatro dos nove estados do bioma: Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí. Ainda conforme o levantamento, em 2021, no Ceará, pouco mais de 2.560 ações de desmatamento foram identificadas e 20.584 hectares de área da Caatinga no Estado foram desmatados.

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