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Inspeção da Anvisa na fábrica da Ypê registra corrosão, má conservação e “risco sanitário elevado”

Relatório da Anvisa identificou falhas graves na produção, corrosão em equipamentos e lotes com suspeita de contaminação microbiológica; caso será analisado nesta quarta-feira pela diretoria colegiada da agência
Relatório aponta risco sanitário elevado em lotes de produtos da Ypê. Foto: Reprodução/Fantástico

Uma inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê, no município de Amparo, em São Paulo, identificou uma série de problemas considerados graves pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo. O relatório aponta falhas em etapas críticas da produção, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento irregular de produtos devolvidos às linhas de envase.

Imagens incorporadas ao documento foram reveladas pelo Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (10). A inspeção sanitária foi realizada no final de abril.

O caso será analisado nesta quarta-feira (13) pela diretoria colegiada da Anvisa, que decidirá se mantém a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da empresa.

Segundo a agência, foram constatados “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Para o órgão, as irregularidades comprometem as boas práticas de fabricação e representam risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.

As imagens anexadas ao relatório mostram equipamentos utilizados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos com sinais visíveis de corrosão. O documento também destaca o estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças.

Em outro trecho, os fiscais afirmam ter encontrado restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase na mesma unidade industrial.

Lotes com suspeita de contaminação

O relatório ainda informa que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica em 80 lotes de produtos acabados. Entre os testes positivos, foram identificados casos envolvendo a bactéria Pseudomonas aeruginosa. De acordo com a inspeção, os lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e permaneceram armazenados aguardando “definição financeira”.

Inspeção da Anvisa identificou corrosão e falhas graves na fábrica da Ypê em São Paulo. Foto: Reprodução/Fantástico

A inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades configura “um quadro crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado”, exigindo medidas corretivas imediatas por parte da empresa “sob pena de comprometimento da saúde dos consumidores e de agravamento das sanções sanitárias cabíveis”.

O risco identificado pela Anvisa envolve apenas lotes com numeração final 1 de lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes. O órgão orientou consumidores que possuam os produtos afetados a suspender imediatamente o uso e procurar o serviço de atendimento da empresa para informações sobre recolhimento.

Segundo a agência, produtos contaminados podem provocar infecções na pele, nos olhos e problemas respiratórios, especialmente em idosos e pessoas imunossuprimidas.

Recurso suspendeu medida

A decisão que determinou a suspensão da fabricação e comercialização dos lotes foi publicada pela Anvisa na última quinta-feira (7). No dia seguinte, a Ypê apresentou recurso administrativo, o que suspendeu automaticamente os efeitos da medida até nova análise da diretoria colegiada.

Em nota exibida ao programa Fantástico, da Grupo Globo, a Ypê afirmou que a inspeção “não encontrou contaminação” nos produtos e declarou possuir controles internos para identificar e descartar itens fora do padrão de qualidade.

A fabricante também informou que as áreas mostradas nas imagens não têm contato direto com os produtos e fazem parte de um “plano robusto de melhorias” alinhado com a Anvisa desde o ano passado. A empresa acrescentou ainda que a produção na unidade de Amparo está paralisada desde quinta-feira para acelerar as adequações exigidas pela agência reguladora.