Menu

Povos indígenas cobram demarcação de terras e denunciam violência no Dia dos Povos Indígenas

Entidades afirmam que territórios são essenciais para a sobrevivência cultural e cobram ações urgentes do poder público
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Organizações indígenas e entidades de defesa dos direitos humanos se manifestaram neste domingo (19), data em que é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, para cobrar a demarcação de terras e denunciar violações enfrentadas por comunidades tradicionais em todo o país.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil destacou que a demarcação territorial representa uma reparação histórica e condição fundamental para a sobrevivência dos povos originários.

“Seguimos resistindo porque nossos territórios continuam sob ataque e nossos corpos continuam sendo alvo. Precisamos dos nossos territórios demarcados e protegidos. Sem demarcação não há vida, não há cultura, não há futuro. Território é onde plantamos, onde rezamos, onde enterramos nossos ancestrais e onde nossos filhos vão crescer”, afirmou a entidade, em publicação nas redes sociais.

Denúncias de violência e exploração

A Apib também denunciou a continuidade de práticas ilegais em territórios indígenas, como garimpo, desmatamento e invasões. “Precisamos que parem de violentar nossos corpos e territórios. Garimpo ilegal, madeireiro, invasão, assédio, feminicídio: nada disso é tradição. Violência não é cultura. Demarcar é reparar. Não há soberania nem democracia sem território demarcado”, destacou a organização.

A entidade é responsável pela organização do Acampamento Terra Livre, considerado a maior mobilização indígena do país, realizada anualmente em Brasília e que reúne representantes de centenas de povos originários.

Impacto ambiental e defesa da Amazônia

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira também reforçou o apelo por proteção territorial, destacando impactos ambientais da exploração ilegal. Segundo a organização, a destruição dessas áreas afeta diretamente o equilíbrio da Amazônia, contribuindo para eventos extremos, como secas e queimadas.

“Os territórios indígenas estão sob ataque permanente, com o garimpo ilegal, desmatamento, grilagem e grandes empreendimentos que avançam sobre a Amazônia. Isso não é um conflito isolado, mas um projeto contínuo de exploração”, afirmou.

A Anistia Internacional também se posicionou, defendendo urgência na demarcação de terras e na proteção das comunidades indígenas. “Só será possível falar em celebração quando os direitos de todos os povos originários no Brasil e no mundo forem plenamente garantidos”, declarou. A entidade destacou ainda dados da Organização das Nações Unidas, segundo os quais os povos indígenas protegem cerca de 80% da biodiversidade global.

Posição do poder público

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas afirmou que tem avançado na valorização e no reconhecimento dessas populações, com ações voltadas à demarcação e proteção dos territórios. “Com essa gestão indígena, avançamos na demarcação e na proteção dos territórios indígenas, além do fortalecimento dos direitos e da autonomia”, informou o órgão.

No Ceará, o governador Elmano de Freitas também se manifestou sobre a data, destacando políticas públicas voltadas aos povos originários.

“Hoje é o Dia dos Povos Indígenas. Uma data que marca a memória, resistência e luta viva. Tenho muito orgulho de, como governador, seguir nessa caminhada junto com os povos originários do Ceará. A gente tem avançado na saúde indígena, na educação que respeita a cultura e os saberes ancestrais, e em políticas que protegem os territórios e garantem dignidade. Não vamos tolerar desrespeito, nem apagar histórias que vieram antes de nós”, afirmou.

Data marcada por luta e resistência

Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas substituiu a antiga denominação “Dia do Índio” e busca reconhecer a diversidade, a cultura e a resistência dos povos originários. A data foi instituída ainda na década de 1940 e, ao longo dos anos, passou a ser ressignificada pelos próprios povos indígenas como um momento de mobilização e reivindicação de direitos.

Após mais de cinco séculos de enfrentamento a violências, discriminação e perda de territórios, lideranças reforçam que a data vai além da celebração e representa, sobretudo, um chamado à garantia de direitos e à preservação de suas culturas e modos de vida.